André Lessa/AE
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José Carlos Semenzato: "o maior desafio é a fidelização da equipe"

Ex-presidente da Microlins respondeu perguntas de internautas

Estadão PME,

23 de novembro de 2011 | 16h29

 O empresário José Carlos Semenzato, ex-presidente da Microlins, respondeu a dez perguntas de internautas do Estadão PME. Atualmente à frente da holding  SMZTO Participações,  Semenzato contou com sua experiência no mercado para trocar experiências sobre o universo empresarial com os internautas.

 “O maior desafio de qualquer negócio, no momento de forte crescimento e desenvolvimento do Brasil, é a fidelização de equipes. É preciso criar planos de carreiras para reter talentos. Oferecer bônus de produtividade também ajuda muito”, disse o empresário em resposta a questão sobre gestão de pessoas dentro de uma empresa.

Responsável por coordenar o desenvolvimento de 13 marcas do setor de franchising, entre elas o Instituto Embelleze, a Donna’s Cozinha Criativa e a Casa do sorvete Jundiá, Semenzato participou do encontro promovido pelo Estadão PME, em outubro, com pequenos empreendedores.

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Confira as respostas de Semenzato aos internautas:

1 - Você acredita que um negócio que possui de 1 a 3 anos de existência, num segmento novo, pode se tornar uma rede de franquias?  

Ana Fontes , São Paulo (SP)

José Carlos Semenzato - Pode sim, desde que seja franqueável, ou seja, tenha lucro suficiente para remunerar o capital investido pelo franqueado dentro de um prazo de retorno. Para isto, a taxa de retorno deve estar acima das remunerações conservadoras das aplicações financeiras. Da mesma forma, o franqueador precisa ter sua remuneração. Em resumo, é preciso ter um bom produto ou serviço, com preços competitivos no mercado, que remunere o franqueado e o franqueador.

2 - Qual a sua previsão para a expansão dos cursos de capacitação para cuidar de idosos e como eles devem estar estruturados, considerando que demandam conhecimentos da área médica?

José Celestino Teixeira, Caxambu (MG)

José Carlos Semenzato - Eu recomendo a escolha de um nicho a explorar. Há uma grande maioria de idosos que não requerem cuidados médicos. Porém, no portfólio de serviços, é preciso ter alguns profissionais enfermeiros para atender as demandas, se houver necessidade. Se for para pensar em uma unidade, acredito que seja interessante, mas não consigo ver um negócio em rede nacional sobrevivendo somente com este serviço. A rede deveria ter uma série de cursos, de outras áreas, para dar volume e fazer com que o negócio sobreviva. Ainda assim, recomendo um estudo aprofundado de uma consultoria de sua cidade ou região para avaliar todas as variáveis deste negócio, desde preços médios cobrados no mercado, idade da população, investimento na montagem da escola, materiais didáticos e paradidáticos, custo por hora dos instrutores, dentre outras.

3 - Qual o maior desafio para o seu negócio quando se trata da gestão de pessoas?

Cida Bonadia, São Paulo (SP)

José Carlos Semenzato - O maior desafio de qualquer negócio, no momento de forte crescimento e desenvolvimento do Brasil, é a fidelização de equipes. É preciso criar planos de carreiras para reter talentos. Oferecer bônus de produtividade também ajuda muito.

4- Quais os critérios que você usa para escolher uma empresa e fazer investimentos nela?

João Gabriel Borges, Porto Alegre (RS)

José Carlos Semenzato - Primeiro, gosto daquelas que atendam à maioria da população, ou seja, que tenha foco nas classes B, C e D. Depois, costumo dizer que o negócio precisa ser desejado pelo consumidor e apresentar algum diferencial.

5 – Gostaria de saber qual é o momento ideal para vender uma empresa pequena para um grande investidor interessado em torná-la maior?

José Olívio Cardoso da Silva, Florianópolis (SC)

José Carlos Semenzato – Depende. Penso que cada negócio tem seu momento. Se você ainda vê condições de crescimento e sua empresa cresce acima dos 10% ao ano, recomendaria que esperasse o negócio gerar mais caixa. Por outro lado, se você não consegue crescer mais do que a inflação anual e encontra um comprador estratégico que tenha chance de buscar sinergia com outros negócios, com certeza é o momento de vender.

6 – Que tipos de dúvidas e preocupações você teve quando percebeu que o ensino de informática estava perdendo força no mercado e que a sua empresa passava por um novo momento?

Amanda F. Dias,  Rio de Janeiro (RJ)

José Carlos Semenzato - Percebi isso em 1997, aí criei os cursos profissionalizantes, e a Microlins virou Escola de Profissões. A inovação e a reinvenção do negócio deve ser preocupação constante.

7 – Gostaria de saber que estratégias você usou para a Microlins ganhar mercado nas classes sociais mais baixas e se a comunicação da empresa com clientes de baixa renda deve ser diferente da voltada aos públicos A e B?

Jurandir Freitas, Curitiba (PR)

José Carlos Semenzato - Penso que cada negócio, produto ou serviço deve ter sua estratégia. O sucesso da Microlins veio da criação da agência de encaminhamento ao mercado de trabalho. Este é o segredo deste negócio, mas cada um tem o seu e deve-se procurá-lo, até encontrá-lo.

 

8 – Quero abrir uma pequena empresa no setor de alimentação (congelados), mas não possuo capital para iniciar o negócio. O que você acha mais estratégico em casos assim: considerar a possibilidade de ter um sócio com recursos ou tentar um financiamento para investir?

Elaine Medeiros, Vila Velha (ES)

José Carlos Semenzato - Eu não teria o sócio somente pelo dinheiro. Creio que o sócio precisa complementar em algo que você não seja bom. Exemplo, um vendedor precisa de um sócio administrador e, se estiver capitalizado, bingo. Porém, ganhar um sócio investidor que não vai agregar nada ao negócio, não recomendo.

9 – Como as pequenas empresas podem reter talentos, sendo que muitas vezes elas possuem menos recursos para cobrir propostas feitas por companhias grandes e com maior visibilidade?

Hugo Martins, Petrópolis (RJ)

José Carlos Semenzato - Costumo dizer que todo negócio precisa ter margem para suportar os impostos, salários e encargos dos colaboradores, enfim, remunerar toda a cadeia do negócio. Se a empresa não conseguir remunerar bem os colaboradores, fatalmente perderá seus melhores talentos para negócios com maior margem de lucros. Porém, nem sempre é o salário que retém os talentos. Às vezes, uma gestão participativa agrada muito mais do que os altos salários e um ambiente nada propício ao colaborador. É preciso haver um equilíbrio entre o lucro da empresa e a remuneração dos colaboradores. A transparência da empresa com o seu corpo de colaboradores tem dado muito resultado na retenção de talentos.

10 -  Quanto tempo você considera razoável para uma empresa começar a dar retorno do dinheiro investido em sua concepção?

Antônio dos Santos Pereira, Canoas (RS)

José Carlos Semenzato - Isso varia muito. Nosso grupo deve encerrar este ano com 13 negócios. Cada um tem a sua dinâmica e tempo de retorno. Uma loja própria leva, normalmente, uma média de 6 meses para entrar no ponto de equilíbrio. Quando você opera o negócio por meio do franchising, a franqueadora de algum serviço ou produto pode levar de dois a três anos para entrar neste ponto de equilíbrio.

Temos negócio no nosso grupo que no terceiro mês ocorreu o ponto de equilíbrio. Porém, isso não se pode garantir, pois depende muito da gestão, dedicação e envolvimento do dono ou franqueado na operação. ::: LEIA TAMBÉM :::

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