Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Joia personalizada atrai pequenas empresas e tem gente que ganha até R$ 1,3 mil por uma peça

Há espaço para o dono do pequeno negócio que é inovador e está muito disposto a atender o pedido dos clientes

Gisele Tamamar, Estadão PME,

04 de fevereiro de 2014 | 06h30

Em um mercado onde 95% das empresas são de pequeno porte, buscar um diferencial é fator primordial para sobreviver. É esse exatamente o segredo do sucesso para quem atua com joias, por isso, coleções exclusivas e ofertas personalizadas ajudam o pequeno empreendedor a ganhar destaque em um setor que movimentou R$ 7,5 bilhões em 2012, segundo a última estimativa disponível do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM).

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Na avaliação da professora do Centro Universitário Belas Artes, Carolina Garcia, existe mesmo uma tendência de consumo, cada vez maior, dos chamados acessórios – eles incluem as joias e bijuterias. E existe, ainda, um movimento de entrada no mercado de jovens designers, que não fazem parte de famílias com tradição no setor.

“O designer agrega valor para a peça. Ele vai dar um diferencial no produto e sua criatividade acrescenta uma identidade que vai passar para o usuário”, afirma Carolina.

Retrato. As oportunidades existem, mas segundo o presidente do IBGM, Hécliton Santini Henriques, o pequeno varejo precisa cada vez mais realizar ações cooperadas com a indústria do segmento para enfrentar a concorrência das grandes cadeias nacionais, das grifes internacionais e também dos vendedores autônomos de joias importadas. Outra tendência apontada por Henriques é que a indústria brasileira continua diminuindo o volume de ouro nas peças e foca na produção de joias mais leves.

Exemplo. A proposta da Olendzki para se diferenciar no setor é fazer pequenas esculturas. A marca foi criada por Éda e Nina Olendzki, mãe e filha, que fizeram juntas um curso de design de joias. Éda é médica e Nina estudou administração. As duas resolveram investir no segmento quando foram morar no Rio de Janeiro.

“Nossa identidade é em cima das pequenas esculturas, com muitos detalhes e articulações. Tem todo um movimento para a peça ganhar vida, ter uma coisa mais lúdica”, afirma Éda. Entre as peças personalizadas, o cliente pode definir, por exemplo, o tipo de cabelo da criança, as roupas e seus objetos favoritos. Apesar de estar no caminho certo, o maior desafio da empresa foi obter informações sobre o mercado.

“Não viemos de família de joalheiros e não conhecíamos bem o mercado. Tínhamos que entender bem a técnica tradicional e queríamos criar maneiras próprias de fazer”, conta Éda, que tem uma loja na Galeria Ipanema Secreta.

Já a designer Lica Vincenzi criou uma linha chamada ‘A escrita do seu filho’. É uma forma de reproduzir e eternizar a primeira grafia da criança em um pingente de ouro ou prata. Lica vende entre 30 e 40 joias da linha por mês. Em prata, o colar custa a partir de R$ 480. Em ouro, a partir de R$ 1.320.

A ideia surgiu quando Lica estava na casa dos pais mexendo nas coisas de criança e encontrou alguns álbuns antigos guardados. “Achei um livro cheio de colagens e tinha minha tentativa de escrever Livia, com letras tortinhas”, lembra. Atualmente a designer atende com hora marcada no ateliê e programa a inauguração de um espaço nos Jardins, em São Paulo.

As joias personalizadas também fazem parte do trabalho de Leandro Nogueira, conhecido como Genu e responsável pela empresa Sarepta. Ele já reproduziu logotipos empresariais e cuidou da produção dos pingentes “Cabeça de fita” para o rapper Emicida. “Estou a caminho do crescimento. Ainda tenho muita coisa para melhorar”, diz Nogueira. Uma das peças mais vendidas atualmente é a aliança com notas musicais. O casal envia a partitura de uma música e o designer faz a gravação.

Brasil. Já as imagens tropicais e que remetem ao País estão sempre presentes nas coleções de João Sebastião, que trabalha com bijuterias finas. Nascido no Mato Grosso, ele já desenhava protótipos aos 10 anos, fez curso de ourives com 18 anos e começou a desenvolver coleções mais elaboradas durante a faculdade de arquitetura.

“Vim para São Paulo e resolvi direcionar minha marca para um trabalho tropical, bem brasileiro, com peças que valorizam a fauna e a flora nacional.” As peças de João Sebastião retratam araras, tucanos, frutas e são usadas, por exemplo, pela cantora Gaby Amarantos. Os brincos vendidos pelo designer custam entre R$ 150 e R$ 180. Já os colares chegam a R$ 600. 

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