Divulgação/Endeavor
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John Mullins diz que entender mercado é mais importante do que fazer um plano de negócios

Para presidente da Fundação de Empreendedorismo e Marketing da London Business School, os empreendedores não devem gastar tempo escrevendo um plano de negócios que pode dar errado

Ligia Aguilhar - Estadão PME,

12 de outubro de 2011 | 16h00

Não perca tempo fazendo planos para o seu negócio. John Mullins, professor Associado em Técnicas de Gestão e Presidente da Fundação de Empreendedorismo e Marketing da London Business School, garante que os empreendimentos mais bem sucedidos do mundo não seguiram à risca um detalhado plano de negócios.

Em entrevista exclusiva ao Estadão PME, Mullins, que está no Brasil para participar da segunda edição da Rodada de Educação Empreendedora Brasil (o REE Brasil) realizada pelo Instituto Empreender Endeavor, em parceria com o Sebrae e a Universidade de Standford, no Rio Grande do Sul, entre 13 e 15 de outubro, diz que o segredo do sucesso de um empreendimento está em resolver um problema real dos consumidores ou em criar um produto ou serviço que proporcione uma experiência incrível que ninguém tenha vivido antes.

Autor de quatro livros, entre eles Getting to Plan B: Breaking Through to a Better Business Model (sem tradução para o português), Mullins possui MBA pela Universidade de Stanford, doutorado pela Universidade de Minnesota e tem mais de 40 artigos publicados em diversas revistas, incluindo Harvard Business Review e o The Wall Street Journal. Suas pesquisas ganharam prêmios nacionais e internacionais do Marketing Science Institute e da Fundação Richard D. Irwin. Confira a entrevista:

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Estadão PME - Qual a importância da educação empreendedora para o sucesso de um negócio?

John Mullins - A educação empreendedora é importante porque o mundo precisa de organizações de todo tipo que sejam mais bem administradas e as escolas de negócio podem ajudar isso a acontecer. Uma segunda razão pela qual ela é importante é que na maioria dos países onde a geração de emprego é necessária, a maioria dos trabalhos vem de empresas em rápido crescimento. Quem não estuda e não busca capacitação para aprender a crescer está condenando sua empresa a permanecer pequena. Eu acredito que a capacitação ajuda a expandir horizontes, a ver oportunidades além das que o empreendedor já via anteriormente e a empreender de forma mais assertiva.

Estadão PME - O que o empreendedor deve avaliar na hora de escolher uma escola de negócios?

John Mullins - Acredito que as melhores escolas têm um bom equilíbrio entre sua parte teórica com matérias práticas. As melhores escolas que eu já conheci, como a London Business School, Standford e Harvard têm esse equilíbrio.

Estadão PME - A maioria dos especialistas diz que para ter sucesso uma empresa precisa de um bom plano de negócios. Você escreveu um livro dizendo exatamente o contrário. Por que você considera que um bom plano de negócios não é fundamental para uma empresa?

John Mullins - Quando eu escrevi o livro Getting to plan B, concluí que existe um problema no ensino da elaboração do plano de negócios hoje em dia. A maioria das escolas e dos investidores acredita que a missão do empreendedor é escrever um plano de negócios impecável, mas a minha experiência diz que isso é errado. Primeiro, porque a maioria das empresas bem sucedidas deu certo porque resolveu um problema diferente do que elas imaginavam resolver, para um cliente diferente do planejado, em uma área diferente da esperada. Então, o que nós sempre vemos acontecer é que o bom empreendedor é flexível o bastante para reconsiderar sua estratégia de acordo com os sinais que ele capta do mercado. Muitas pessoas que hoje ensinam a elaborar um plano de negócios não entendem esse fator importante que é aprender a mudar um plano A que não funciona para um B que funcione.

Estadão PME - Isso significa que o empreendedor deve traçar planos alternativos para o seu negócio?

John Mullins - Um plano B não é algo que você carrega no bolso. Na verdade, o empreendedor precisa ter um plano inicial na sua cabeça e medir o seu progresso constantemente para adaptar o seu plano à medida que vai conhecendo o mercado e ganhando espaço.

Estadão PME - O co-fundador da Apple, Steve Jobs, disse uma vez que ele não fazia pesquisas de mercado para criar os seus produtos porque não dava para perguntar para as pessoas qual a próxima grande coisa que elas queriam. Por isso, ele desenvolvia os produtos da Apple com base na percepção que ele tinha do mercado. É nesse tipo de instinto que você acredita?

John Mullins - O Steve Jobs tinha muita informação sobre o que o consumidor queria. Ele sabia que a Sony havia vendido 300 milhões de walkmans e isso foi uma grande evidência para ele de que havia demanda para aparelhos bacanas que tocassem música.  Ele também percebeu que o Napster teve 26 milhões de usuários que queriam fazer o download  apenas das músicas que eles queriam ouvir, então, ele também teve evidências de que os consumidores gostariam de baixar uma música em vez de comprar um cd inteiro. O que ele não sabia era se conseguiria desenvolver um aparelho legal o bastante  nem se as pessoas pagariam 99 centavos para baixar uma música. E quando ele lançou o iTunes vendeu mais de 1 milhão de músicas no primeiro dia, o que deixa claro que sim, ele conhecia muito bem o seu público, embora não recorresse a pesquisas tradicionais de mercado. Isso mostra que você não precisa ter um plano de negócios formal. A maioria dos empreendedores bem sucedidos tem o plano na sua cabeça e não gastam tempo escrevendo algo que pode dar errado.

Estadão PME - Em sua opinião, qual o segredo para uma empresa ter sucesso?

John Mullins - Há muitos segredos, mas o principal ponto em comum de negócios bem sucedidos é que ou eles resolveram um problema real dos consumidores ou deram a eles uma experiência incrível e nova por meio de seus produtos e serviços. Se voltarmos a falar da Apple, por exemplo, notamos que o iTunes resolveu um grande problema da indústria fonográfica, que é o pagamento dos direitos autorais. Algo que o Steve Jobs percebeu que a Apple poderia resolver.

Estadão PME - Como você avalia o potencial do mercado brasileiro para criação de novos negócios?

John Mullins: Eu penso que o Brasil é um solo muito fértil para empreendedores, com uma crescente classe média consumidora e grandes oportunidades em todos os setores. Creio que o Brasil é hoje um dos melhores lugares do mundo para se empreender.

Estadão PME - Que conselho você daria aos empreendedores brasileiros?

John Mullins: Faça acontecer. Encare a  jornada.  O Brasil precisa de estradas, saúde, indústrias diversas e os empreendedores podem prover isso e prover trabalho paras pessoas que precisam.

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