Reprodução
Reprodução

Jogos interativos em mictórios de bares e casas noturnas ganham espaço na Europa e chegam ao País

Brasileiros receberão consultoria do Sebrae durante quatro meses

NAYARA FRAGA E MARIANA CONGO,

06 de fevereiro de 2013 | 13h05

 Entre os projetos apresentados na maratona de negócios realizada na Campus Party – a feira de tecnologia que ocorreu recentemente em São Paulo –, um chamou a atenção por sua proposta inusitada: instalar jogos interativos em mictórios de casas noturnas, bares e restaurantes. Aparentemente maluca, a ideia é um bom negócio, segundo Heldith Oliveira, de 24 anos, e Lincoln Dias, de 21. “Há uma experiência semelhante lá fora (exterior) que prova isso”, diz Oliveira.

::: Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

:: Google + ::

O jovem se refere à Captive Media, empresa britânica de marketing digital que serviu de inspiração para o empreendimento brasileiro. A brincadeira funciona por meio de sensores, instalados no mictório, que captam a direção do jato da urina. Quando o homem chega para fazer xixi (o que dura em média 55 segundos, no caso dos britânicos), o jogo começa numa tela colocada acima do mictório.

Por exemplo: num jogo de esqui, se a mira está para o lado direito, o jogador desce a montanha de neve para a mesma direção. Se até o fim do xixi nenhum obstáculo atrapalhar a performance do jogador, ponto marcado. 

A receita da Captive vem da venda de espaço publicitário para marcas ligadas ao mundo masculino, como de bebidas alcoólicas. A tela serve também como um display para a própria casa noturna exibir suas promoções. A propaganda aparece antes e depois do jogo, quando o mictório está em modo de espera. 

Em depoimento ao Guardian, a Captive diz que o jogo aumentou em 46% a venda de uma cerveja divulgada nos mictórios de um bar em Cambridge e mais que dobrou as vendas de outra cerveja em um bar londrino. Além disso, uma pesquisa feita com clientes revelou que 90% deles falariam da experiência no banheiro para seus amigos e 80% considerariam ficar mais tempo no bar.

A tecnologia da Captive é patenteada. Mas, segundo Oliveira e Dias, o sistema do Dudiz (como o empreendimento brasileiro está sendo chamado) é diferente, pois os sensores são ópticos e captam o movimento. O da Captive captaria apenas o som. “Muitas novidades no Brasil são adaptações do que acontece e já dá certo lá fora”, diz Dias. 

O fato de a ideia dos garotos ser uma cópia de algo já em curso lá fora não significa que o projeto é necessariamente bom ou ruim, segundo Marcos Almeida, do fundo NH Investimentos. “É preciso saber como a empresa estrangeira está em termos financeiros e se este modelo é de fato adaptável ao Brasil.” Marcos estava na banca de investidores que escutou as 36 propostas vencedoras da maratona de negócios, da qual 100 startups participaram. 

O plano da dupla é desenvolver o hardware por conta própria e o software em parceria com outra startup brasileira. Os jogos, segundo eles, podem ser de corrida ou ter como tema algo relacionado à Copa do Mundo. “Podemos fazer um jogo com o Fuleco (mascote da Copa) batendo pênaltis”, diz Dias. Os garotos receberão consultoria do Sebrae por quatro meses - uma ajuda para que o projeto saia do papel e investidores apareçam.

Veja como funciona o jogo na Inglaterra

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.