Já tem até panetone de cerveja artesanal

Novos empreendedores agora experimentam até onde vai a disposição para consumir daqueles que gostam do segmento

RENATO JAKITAS, ESTADÃO PME,

24 de novembro de 2015 | 14h16

Se beber cerveja não é o que se pode chamar de trabalho pesado, ganhar dinheiro fabricando ou vendendo os milhares de rótulos no mercado já é bem diferente. Para tentar driblar a concorrência, além da carga de impostos e dos custos envolvidos na atividade, alguns empresários começam a experimentar atalhos. O principal deles, até aqui, parece ser o de investir em nichos próximos o suficiente do interesse do consumidor, mas longe do ‘olho do furacão’ que tornou-se a atividade em si.

::: Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

:: Google + ::

O resultado é um crescente número de produtos eletrônicos, marcas de molho e até uma linha de panetone que, ou levam marcas de cerveja da moda em sua formulação, ou são criados para facilitar a vida dos aficionados pela bebida. Túlio Rodrigues é um bom exemplo desse posicionamento indireto. Ele é dono, há quatro anos, de uma instituição de ensino especializada no universo da cerveja, a Beer Academy. O negócio idealizado pelo empresário vem capacitando microcervejeiros profissionais e amadores pelo Brasil, mas há algum tempo o empreendedor passou a investir, também, na área gastronômica e lançou assim alimentos como sorvetes e molhos, todos à base de cerveja.

“A gente percebe que realmente a concorrência é muito pesada entre os fabricantes. Eu sempre fui uma pessoa muito envolvida com esse mercado, mas na hora de montar minhas empresas eu tive a intenção de fugir um pouco desse meio mais tenso, mais disputado”, analisa Túlio Rodrigues.

Dono de uma loja de cervejas artesanais chamada Cervejoteca, Ronaldo Rossi também não demorou a perceber as oportunidades no mercado que nascem paralelamente ao interesse nacional pelas marcas importadas ou menos comerciais. Tanto que, para este ano, ele desenvolveu um panetone com cerveja Sea Dog e creme de avelã que vai chegar de maneira experimental ao varejo. 

“Fabricamos uma quantidade bem pequena, cerca de 1,2 mil panetones de 700 gramas, que acho que vão ser vendidos por mais ou menos uns R$ 50 no varejo. É um produto que vai ser vendido na internet, em alguns pontos de venda já cadastrados da Sea Dog e em minha loja”, afirma o comerciante e chef de cozinha, que já fez até mesmo sorvete de cerveja e um bolo baseado na tradicional bebida. “Ele tem cerveja, chocolate e bacon. Os clientes gostam”, garante.

Comida, porém, não é justamente o forte de um grupo de empresários do Rio Grande do Sul e de outro empreendedor, este por sua vez solitário, que trabalha a partir de Minas Gerais. Mais ligados ao mercado da tecnologia, eles, no entanto, decidiram colocar seus conhecimentos a serviço da cerveja, cada qual a sua maneira peculiar.

Ricardo Gazzola, Gustavo Moraes e Rafael Schiavoni se conheceram na universidade e desde 2013 trabalham no projeto de um equipamento capaz de gelar em até cinco minutos as latinhas de cerveja. “Eu acho que essa não deixa de ser uma preocupação mundial. Ninguém gosta de tomar cerveja quente”, afirma Ricardo Gazzola, que atua como coordenador de vendas do SuperCooler. 

Trata-se de uma máquina portátil que rotaciona a latinha em sentido horário e, desde que colocada em contato com uma superfície congelada (uma caixa de isopor com gelos ou um congelador), gela a bebida a 3°C em apenas quatro minutos. “A gente levantou R$ 25 mil em 45 dias num site de financiamento coletivo e agora estamos vendendo. A ideia é fechar para o próximo ano um contrato com uma rede de varejo e ampliar os resultados”, afirma o empreendedor. O empresário contou que espera faturar, em um ano, aproximadamente R$ 1 milhão. “A nossa margem era de 50%. Mas agora, com o dólar, as peças subiram e o lucro caiu pela metade.”

Já Diego Rodriguez, de Belo Horizonte, mostra que o setor comporta ideias na internet. “Percebi que o Buscapé não tem muita coisa para cerveja. Então, criei um robô que busca informações em 33 lojas virtuais e traz uma lista com valores”, conta o empresário, que ganha dinheiro oferecendo posições privilegiadas para marcas em sua plataforma e vende cotas de patrocínios. “Já fechamos com a Ambev”, ele diz.

Tudo o que sabemos sobre:
cervejacerveja especial

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.