Renato Jakitas/Estadão
Renato Jakitas/Estadão

Interior de SP transforma inseto comestível em atração turística

Economia da cidade gira em torno da formiga tanajura entre outubro e dezembro

Renato Jakitas, Estadão PME,

25 de setembro de 2013 | 07h29

Atualmente com 52 anos, Jorge da Silva nasceu e cresceu nas terras em que ainda hoje ganha a vida – uma fazenda em Silveiras, cidade a 225 quilômetros de São Paulo. “Eu vivi a vida inteira aqui, o meu pai trabalhava para o pai do meu patrão”, conta ele, que além do sobrenome, endereço e emprego, herdou outra característica do parente: o gosto pelas iças, que prefere saborear ainda vivas.

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Silva pega as fêmeas de saúva diretamente do formigueiro e leva para a boca, separando com os dentes o abdômen suculento do resto do corpo que para ele não serva para nada. “Eu só como na hora que sai do formigueiro. Se já tiver voado, não serve, ficou suja”, diz.

O apetite de Jorge da Silva pode soar peculiar para quem mora distante da região do Vale do Paraíba, onde está localizada Silveiras. Na região, entretanto, o hábito é plenamente compreendido. E inclusive endossado pelos demais moradores. Isso porque, entre outubro e dezembro, época de chuva e revoada da iça, não se fala em outra coisa. 

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“É uma loucura. Criança, adulto, velho, todos saem para o meio da rua atrás das iças. Parece que você está dentro de um romance do Gabriel Garcia Marquez. O realismo fantástico é aqui”, afirma Teresa Isoldi, que mantém uma pousada na cidade. “O turismo que as formigas geram é importante. Divide espaço com o turismo religioso, pois estamos na rota de cidades como Aparecida no Norte.” Um dos primeiros a atentar para o potencial turístico da cidade em torno da formiga comestível, o sociólogo Ocílio Ferraz tenta organizar uma cadeia produtiva da iça em Silveiras. Em seu restaurante, ele mantém uma espécie de museu tropeiro a céu aberto e comercializa lembranças que levam a imagem da formiga. 

“Eu tenho camiseta, pano de prato, chave, xícara, canetas, miniaturas. Agora mesmo, estou treinando crianças e adolescentes para serem anfitriões de turistas. A ideia é que eles levem a turma para visitar formigueiros a partir de outubro”, conta ele, que também toca uma espécie de delivery de farofa de iça. “Eu mando 120 grama de farofa pelo correio. Custa R$ 40 e faço de 12 a 20 entregas por mês”, afirma o empreendedor. 

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