Alfredo Matos
Alfredo Matos

Intercâmbio ajuda startups a ganhar mercado fora do País

Inscrições estão abertas para dois programas de aceleração com etapas internacionais; StartOut, que envolve Sebrae, tem imersão no Canadá, e programa do Merkaz vai a Israel

Mateus Apud *, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2019 | 06h10

Mesmo inovadoras, muitas startups têm dificuldade de sobreviver nos primeiros anos de vida e recorrem a programas de aceleração para ter escala e se consolidar no mercado. Se esses programas vêm com o bônus de um intercâmbio com empreendedores em outro país, o negócio pode ver sua escala ser internacionalizada e ganhar clientela pelo mundo.

Foi o que aconteceu com a startup Rocket.Chat, plataforma de conversas online com código aberto (chat open source) fundada em 2016 e que participou no ano passado do StartOut Brasil, com missões de uma semana em Lisboa e Berlim.

Destinado a startups brasileiras que já estejam faturando, preferencialmente, acima de R$ 500 mil ou que tenham recebido algum tipo de investimento, o StartOut Brasil é uma iniciativa conjunta dos ministérios da Economia e das Relações Exteriores, além de Sebrae, Apex-Brasil e Anprotec. Nesta quinta edição, que selecionará 20 startups com potencial de internacionalização, o “intercâmbio” será em Toronto, no Canadá. No ano passado, foram três edições, em Berlim, Miami e Lisboa.

A etapa de preparação acontece no Brasil, com duração de seis a oito semanas, quando os empreendedores têm acesso a um pacote de capacitação que inclui consultoria especializada em internacionalização, acesso à plataforma “Passaporte para o Mundo da Apex-Brasil”, conexão com mentores que conhecem o ecossistema de destino e sessões online de treinamento de pitch (quando o empreendedor faz apresentação rápida de seu negócio para investidores). Após este período, os empreendedores partem para a missão, mas apenas as cinco startups mais bem colocadas ganham as passagens aéreas.

Durante a imersão em Toronto, que será em junho, os empreendedores terão uma agenda intensa com treinamento de pitch internacional, prospecção de clientes, parceiros e investidores, conexão com ambientes de inovação, entre outros. Ao retornar, as startups serão acompanhadas por 18 meses, com possibilidade de apoio para a exportação do produto ou serviço. 

“Entendemos que elas podem voltar com dúvidas, e o acompanhamento é fundamental para ajudá-las a colocar em prática o conhecimento aprendido durante a imersão”, diz Cristina Mieko, especialista em inovação do Sebrae.

Empresa que nasceu com foco na internacionalização dos negócios, a Rocket.Chat diz ter se aprimorado após o programa. “No StartOut tivemos muito apoio e preparação. Eles nos entregaram vários atalhos que ajudaram e foram muito importantes para dar o ponta pé na operação internacional”, conta Leandro Coletti, head de faturamento da empresa.

Hoje, após dois ciclos, a startup tem a grande maioria da base de clientes no exterior, com 30% nos EUA e 35% na Europa. Coletti credita ao StartOut o impulso para o crescimento. “Indico o programa para muitas pessoas do meu networking. Se a empresa tem foco naquele mercado, vale muito a pena ir.”

Também está com inscrições abertas o Programa de Aceleração Merkaz, que, em sua primeira edição, vai selecionar até cinco startups. Depois de um período de cinco meses de aceleração no Brasil, de abril a agosto, a empresa mais bem avaliada irá passar uma semana (com tudo pago) em ecossistema empreendedor em Tel Aviv, Israel.

Iniciativa do Merkaz (grupo de apoio ao empreendedorismo) com o Clube A Hebraica de São Paulo, a Congregação Israelita Paulista, o Fundo Comunitário e o Kyvo Design-Driven Innovation, o programa foca empresas de educação, saúde, construção, finanças e varejo.

“É uma iniciativa judaica com o objetivo de engajar o empreendedorismo. Nascemos com o propósito de fazer um case de sucesso. Nosso objetivo é criar um atalho entre o empreendedor que busca se conectar com alguém importante para crescer”, conta o coordenador do Merkaz e um dos idealizadores do programa, Pedro Muszkaz. Segundo ele, apesar de ter idealizadores da comunidade judaica, o programa é aberto a todos.

Entre os apoiadores da comunidade, estão nomes como Alexandre Frankel (da construtora Vitacon), Carolina Ruhman Sandler (Finanças Femininas) e Claudio Bobrow (fundador da Puket).

* ESTAGIÁRIO SOB A SUPERVISÃO DO EDITOR DE SUPLEMENTOS, DANIEL FERNANDES

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