REUTERS/Denis Balibouse
REUTERS/Denis Balibouse

Inspirada na Uber, companhia aérea de luxo cobra até R$ 50 mil por hora de voo

tripulação é treinada pelo British Butler Institute, a superescola inglesa de formação de mordomos, e tem até uma marca própria de caviar

O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2016 | 06h00

O mercado de luxo pode ser encarado como algo distante para a maior parte dos habitantes do planeta Terra. Mas talvez seja por isso mesmo que aqueles poucos e seletos empreendedores do ramo, quando bem-sucedidos, são REALMENTE BEM-SUCEDIDOS.

Nos últimos meses, o personagem do mercado de luxo atende por Thomas Flohr, dono da suíça VistaJet, a companhia aérea privada e disruptiva que vem sendo considerada uma espécie de Uber dos endinheirados da aviação.

A exemplo da Uber, a VistaJet não cobra dos seus passageiros taxas de embarque, desembarque e nem a famosa tarifa dinâmica (que torna mínima a possibilidade de um outro cliente ao seu lado ter pagado o mesmo valor que você).

Mas isso não quer dizer que o passageiro da VistaJet vai economizar. Ao contrário, essa é a última coisa que o cliente da empresa está preocupado. Por US$ 11 mil a  US$ 16 mil por hora - sim, você leu corretamente - a companhia vai levar você a praticamente qualquer lugar no mundo. Basta por isso encomendar o serviço com até 24 horas de antecedência.

A tripulação é treinada pelo British Butler Institute, a superescola inglesa de formação de mordomos, responsável por preparar os funcionários que atenderão a realeza, líderes de estado, xeques e magnatas do petróleo. 

E as opções de comida nem passam perto dos biscoitos e barrinha de cerais do nosso dia a dia. A empresa suiça tem entre as opções uma marca própria de caviar, um cardápio Nobu e uma coleção de coquetéis inspirada em Simone Caporale, famoso barman, responsável, por exemplo, por preparar a recepção do amigo Leonardo DiCaprio assim que o ator ganhou, finalmente, seu primeiro Oscar. 

Além do cardápio sofisticado, na hora de dormir, os passageiros recebem pijamas especiais e chás herbais para uma boa noite de sono em lençóis de algodão egípcio.

"Estamos tentando fazer com que a experiência em nossa cabine seja a casa longe de casa", diz Nina Flohr, diretora criativa da VistaJet, em entrevista à FastCompany. O objetivo da empresa é oferecer um serviço cada vez mais personalizado, do jeito que o cliente gostar. Ou mesmo do jeito que ele nem sabia que gostava.

Com uma frota de 70 aviões de luxo, os afortunados passageiros da VistaJet podem rodar o mundo a bordo, por exemplo, de um Bombardier Challenger 600 Series, algo como uma Porshe série especial, apenas trazendo para o mundo dos automóveis. Todos os aviões são de propriedade da empresa, sendo que 10 ficam nos Estados Unidos e o restante espalhado pelo mundo.

A VistaJet leva passageiros a 182 países e diz ser a empresa do ramo que mais cresce no mundo. E por mais incrível ou maluco que pareça soar, a fórmula super exclusiva da empresa parece estar funcionando. Desde que foi fundada, a empresa cresce 20% ano após ano e particulamente desde que chegou aos Estados Unidos, em 2013, soma expansão de 400% na receita neste período. "Se existe alguma coisa que os ricos têm em comum é sua fidelidade às marcas", diz Thomas Flohr. "As pessoas querem ter voz e ser alguém, elas não querem ser apenas um número", diz.

O sucesso da VistaJet se deve, além dos pequenos luxos, pela estruturação única da empresa. O valor cobrado do cliente se refere apenas pela distância percorrida (cerca de 15 mil dólares por hora), ao contrário de outras empresas que cobram outro adicionais. Por esse motivo, a empresa tem sido considerada o uber da aviação. Chegar a tal status, no entanto, pode ser difícil por conta das condições do negócio, como o clima imprevisível, regulamentação dos aeroportos, além de outras variáveis, como a possibilidade do cliente cancelar de última hora ou querer fazer alguma escala. (Calaboração especial de Letícia Naisa)

 

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