Helvio Romero/AE
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Inovação faz sucata virar lucro

Empresa cria técnica sustentável para transformar contêineres em quiosques e conquista a Ambev

Carolina Dall'Olio, Estadão PME,

24 de dezembro de 2011 | 09h00

 A Contain (it) mal completou um ano de vida e já pode se dar ao luxo de exibir em seu portfólio de clientes a maior cervejaria do mundo, a Ambev. Essa pequena empresa paulistana foi responsável por transformar contêineres usados em quiosques da marca Brahma.

A utilização desse grande recipiente em projetos arquitetônicos não é algo novo. Como eles são feitos de material resistente e têm um tamanho padronizado, funcionam bem em vários tipos de construção. Além disso, trata-se de material barato. Quando ficam amassados e não podem mais transportar mercadorias, são revendidos por preço de sucata (um contêiner usado custa R$ 7 mil).

O problema é que em um país tropical como o Brasil a sensação térmica dentro de uma construção feita do material pode ser semelhante a de estar em um forno. Isso exige a instalação de um sistema de refrigeração e o projeto fica mais caro, mas principalmente deixa de ser ecologicamente correto e tende a ser abandonado no caminho pelo interessado.

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Dessa forma, a grande sacada da Contain(it) foi justamente resolver esse problema. Ao modificar o contêiner para permitir a circulação do ar e adotar tecnologias que evitam a retenção de calor (a tinta usada na parte externa, por exemplo, funciona como isolante térmico), a empresa paulistana eliminou o principal defeito do projeto e ficou livre para pensar em vários usos para o recipiente.

A solução inovadora é resultado da parceria firmada faz pouco tempo entre um escritório de arquitetura e design (o Super Limão, comandado por Antonio Carlos Figueira de Mello) com o administrador Arthur Norgren, que atuava no mercado financeiro.“A gente se uniu quando percebeu que poderia transformar essa solução em um negócio lucrativo porque o uso do contêiner resolve vários problemas das empresas”, analisa Antonio Carlos Mello.

Um quiosque como o da Brahma pode ser vendido pela Contain(it) por cerca de R$ 150 mil. A mobilidade, a possibilidade de montá-lo em qualquer lugar (pagando apenas pela concessão do terreno, não pela compra) e o custo inferior ao dos demais tipos de instalações foram argumentos usados pelos sócios para que a Ambev encomendasse 25 contêineres. Eles ainda incrementaram o discurso enfatizando o aspecto sustentável do produto.

“Uma das principais qualidades da Contain(it) é inovar com racionalidade, prevendo uma economia de recursos e mitigando danos ao meio ambiente”, analisa Paulo Renato Cabral, da consultoria Inventta, especializada em inovação.

“Mas ainda que sua invenção seja ecologicamente correta, é possível que o consumidor final nem perceba isso, já que o contêiner está transformado”, diz Cabral. “Caso a empresa queira usar a sustentabilidade como atributo do produto, será necessário comunicar essa característica aos clientes.”

Outro desafio da Contain(it) é captar recursos para ganhar escala antes de ser copiada pela concorrência. Como a empresa não terceiriza a fabricação dos quiosques, precisa de investimento para conseguir aumentar a produção. Por isso, os sócios trabalham para conseguir firmar uma parceira com um fundo de private equity. “Queremos nos estruturar para aproveitar as oportunidades em grandes eventos, como Copa do Mundo”, conta Norgren.

Time multidisciplinar dá certo

Reunir profissionais com formações distintas cria um ambiente de colaboração e junção de ideias que tende a estimular a elaboração de soluções inovadoras. No caso da Contain(it), o segredo foi unir profissionais de design e arquitetura a um administrador. Juntos eles transformaram uma boa ideia em um produto diferenciado no mercado.

Aprenda a receber sugestões

A empresa pode ter uma equipe qualificada e recursos para investir em pesquisa e tecnologia. Mas nada disso adiantará se a estrutura for muito rígida e os gestores não criarem um ambiente propício ao debate, à críticas e sugestões. É recomendável também que os chefes sempre comuniquem aos funcionários os novos projetos da empresa para que eles possam opinar.

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