Monica Bento/AE
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Inflação oficial sobe 7,31% em 12 meses, a maior alta em mais de 6 anos

IPCA se distancia ainda mais do teto da meta estabelecida pelo governo, de 6,5%; em setembro, índice subiu 0,53%, pressionado pelos preços das passagens aéreas e dos alimentos

Daniela Amorim, Agência Estado,

07 de outubro de 2011 | 11h58

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou setembro com alta de 0,53%, ante uma variação positiva de 0,37% em agosto, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos últimos 12 meses até setembro, o indicador acumula alta de 7,31%, o maior resultado desde maio de 2005, quando o índice subiu 8,05% neste mesmo período. No ano, a alta acumulada é de 4,97%.

O resultado de setembro foi o maior para o mês desde 2003, mas ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas.

O IPCA é o índice oficial utilizado pelo Banco Central para cumprir o regime de metas de inflação, determinado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O centro da meta é de 4,5%, com uma banda de variação de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo.

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O aumento nos preços dos alimentos têm pressionado a taxa de inflação em 12 meses pelo IPCA. Mas o setor de serviços também tem sido um fator importante de pressão.

"Aí temos uma influência grande dos alimentos, que aumentaram muito nesse ano, mas não só. Os serviços também vêm impactando muito a inflação em 2011. Em particular, a gente destaca os empregados domésticos, os cabeleireiros", contou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE. "Os serviços, em geral, têm um impacto muito grande da renda. Quanto maior a renda e a possibilidade de emprego, mais espaço os serviços têm para ficarem mais caros."

Eulina atentou ainda para o fato de que alguns itens que têm contribuído para conter a taxa em 12 meses, como os eletrodomésticos, se beneficiaram até agora do dólar baixo. Ela não indicou, porém, se a valorização acentuada da moeda americana nas últimas semanas pode aumentar ainda mais a taxa do IPCA de 12 meses nas próximas leituras.

Passagens aéreas puxam alta em setembro

Os preços das passagens aéreas impactaram a inflação medida pelo IPCA em setembro. O item exerceu o principal impacto no mês, com uma contribuição de 0,09 ponto porcentual na formação do índice cheio.

Para viagens em setembro, os voos disponíveis subiram, em média, 23,40% em relação aos disponibilizados pelas companhias aéreas para viagens em agosto, mês em que as tarifas haviam apresentado queda de 5,95%. Como resultado, as despesas com transportes saíram de uma variação de -0,11% em agosto para +0,78% em setembro.

O resultado do grupo foi influenciado ainda pelos combustíveis, que passaram de -0,09% em agosto para +0,69% em setembro. O preço do litro do etanol foi de 0,30% para +3,00%, no período, e o litro da gasolina subiu 0,50%, enquanto em agosto teve queda de 0,14%, na mesma base de comparação.

Houve variação ainda no item conserto de automóvel (de 1,10% para 1,23%), que se manteve em alta, além do seguro voluntário (de -0,88% para +0,86%) e automóveis, tanto novos (de -0,37% para +0,18%) quanto usados (de -0,60% para +0,51%), com aumento de preços após terem se apresentado em queda.

Alimentos mantêm pressão

Os preços dos alimentos aumentaram 0,64% e voltaram a pressionar a inflação. O impacto do grupo foi de 0,15 ponto porcentual, o que representa uma participação de 28% na taxa de 0,53% do IPCA em setembro, segundo o IBGE.

"O IPCA de agosto já tinha subido bastante por causa dos alimentos. Em setembro, os alimentos continuaram em alta, continuaram puxando o resultado, mas um pouco menos que em agosto", disse Eulina.

Vários produtos ficaram mais caros na passagem de agosto para setembro, com destaque para o feijão carioca (6,14%), açúcar refinado (3,82%) e cristal (3,42%), frango (2,94%) e leite (2,47%).

O grupo alimentação e bebidas (0,64%), com impacto de 0,15 ponto porcentual, somado a transportes (0,78%), também com 0,15 ponto porcentual, responderam por 0,30 ponto porcentual do IPCA de setembro, o correspondente a 57% da taxa global do mês passado.

INPC de setembro avança para 0,45%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) subiu 0,45% em setembro, após ter registrado alta de 0,42% em agosto, segundo dados do IBGE. Com o resultado, até o mês passado, o índice acumula altas de 4,61% no ano e de 7,30% em 12 meses. O INPC mede a variação dos preços para as famílias com renda de um a seis salários mínimos e chefiadas por assalariados. 

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