Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Indústria tradicional passa a pagar mais e exigir frutos melhores

Harald reverte a lógica da indústria, aumenta a remuneração dos produtores e aposta no retorno da qualidade

Roberta Cardoso, especial para o Estado,

26 de novembro de 2014 | 07h14

Líder no segmento de coberturas e segunda empresa de chocolates do mercado B2B, a Harald Chocolates aposta em uma estratégia diferente das usadas pelos grandes players do mercado: em vez de depreciar o preço do cacau, paga mais caro pelo insumo. Em contrapartida, pode exigir dos fornecedores – pequenos produtores da Bahia, região Transamazônica e Baixo Xingu – matéria-prima de qualidade superior para fabricar os produtos Melken Unique, nome de sua linha premium.

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“Não existe segredo para fazer um bom chocolate. Nós temos equipamentos sofisticados como o de marcas internacionais renomadas e temos uma formulação boa. Só não tínhamos um cacau com a mesma qualidade”, explica Ernesto Ary Neugebauer, que comanda a empresa fundada, em 1981, com o pai e o irmão.

Para tentar quebrar o ciclo vicioso pelo qual o chocolate brasileiro viveu por décadas, porém, foi preciso investir. O trabalho começa na escolha dos fornecedores. “Eles têm que entregar um cacau que cumpra cerca de 30 quesitos de qualidade. Eles estavam acostumados a cumprir cinco ou seis. É um trabalho constante, de reeducação da forma como o cacau era negociado. Pagamos muito mais caro, mas o resultado é um chocolate mais puro”, explica.

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Atualmente, a linha premium corresponde apenas a 1% do faturamento total da Harald. O porcentual ainda pequeno, entretanto, não desanima Ernesto. “A linha está crescendo gradativamente. É uma mudança muito grande. A maioria dos chefs ainda tem preconceito com o chocolate nacional.”

A insistência de Ernesto em fabricar um produto de qualidade tem outra justificativa. E das mais importantes. Ele nasceu na família chocolateira responsável por fundar a Neugebauer, a primeira fábrica de chocolates do Brasil, em 1891.

Localizada em Porto Alegre, ela ficou na família por quase um século, até sua venda, em 1981. Ainda na década de 80, Ernesto Harald Neugebauer, pai de Ernesto, fundou a Harald com os filhos. Desde então, o empresário se dedica a entender como o produto nacional foi perdendo qualidade ao longo dos anos. “De vez em quando a gente come um chocolate que comia na infância e tem a nítida impressão de que ele era melhor. Não é impressão: ele era melhor mesmo! Recuperar estes processos, que começavam com o chocolateiro escolhendo o cacau, é desafiador. Mas compensa”, finaliza o empresário. 

:: O cacau que atraiu o sócio norte-americano ::

A história de Diego Badaró, da AMMA Chocolates, é única. Disposto a trabalhar com cacau, o primeiro passo foi convencer gente de fora que o Brasil tinha um produto de qualidade. Assim, ele chegou ao sócio, o norte-americano Frederick Schilling. Badaró enviou amostras aos Estados Unidos, Schilling ficou surpreso e veio ao País. Hoje, a AMMA produz 200 quilos do produto na versão premium por dia e exporta metade. “Está tudo integrado: a natureza, os processos e a forma como a gente entende o chocolate. Essa era a bebida dos deuses. Não dá pra produzir, produzir, produzir. Tem que respeitar os ciclos da natureza, do cacau.”

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