JF Diório/Estadão
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Indústria se especializa em fabricar bengalas e fatura R$ 3,4 milhões

Negócio familiar criado em Indaiatuba, no interior de São Paulo, supera muitos obstáculos para ser relevante até hoje no mercado

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

06 de agosto de 2013 | 14h49

Na década de 1940, a cidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo, abrigava diversas indústrias de componentes para guarda-chuva, inclusive a empresa da família Ifanger, que investia na fabricação de cabos de madeira. Mas aí veio a popularização do plástico, as vendas caíram e a empresa mudou.

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O caminho escolhido foi a produção de bengalas e muletas, que continua até hoje rendendo lucros para a empresa. O volume de vendas não registra grandes picos de crescimento, mas é sólido. Só no ano passado, a companhia faturou R$ 3,4 milhões e sustenta uma produção mensal de 2,5 mil pares de muletas e de 8 mil bengalas. O negócio se beneficia do aumento constante da expectativa de vida do brasileiro, mas também de um fato nada animador. “Infelizmente, o aumento dos acidentes de motos influencia as vendas de muletas”, afirma Paulo Henrique Ifanger.

Ele comanda a empresa ao lado do irmão, Mauricio, mas a história do negócio começou com o avô deles. Henrique Ifanger mudou-se de Capivari para Indaiatuba e entrou como sócio de um negócio que então se chamava Cida Artefatos de Couro, especializado em fazer cabos de guarda-chuva.

A virada do negócio ocorreu quando Orlando, pai de Paulo e Mauricio, assumiu o comando e mudou o nome da empresa para Indaiá. “Ele não tinha conhecimento do mercado e foi aprendo na prática, no boca a boca, e fomos conquistando espaço”, relembra Paulo Ifanger.

O negócio começou a ganhar espaço, mas permaneceu na família. “Passamos a infância na fábrica, brincávamos direto na empresa. Acabamos nos envolvendo. As coisas foram acontecendo, o tempo passa, e quando você vai ver, já está lá, comandando o negócio”, diz Paulo.

Para o empreendedor, o divisor de águas da família foi o derrame que o pai sofreu em 1998. “Assumimos definitivamente. Até então eu, meu irmão e meu pai comandávamos a empresa. Mesmo depois do problema, trazíamos ele todos os dias”, conta Paulo. Ele destaca o otimismo e a coragem do pai como inspiração para continuar a administrar a produção.

Atualmente, as casas de material ortopédico são os pontos tradicionais de venda dos produtos fabricados pela Indaiá. Mas as farmácias e drogarias começam a ganhar destaque e ajudam a aumentar o faturamento. “Farmácia tem em tudo quanto é cidade”, analisa Paulo.

A estratégia é fabricar artigos simples. “Não fazemos nada muito elaborado para não encarecer o produto. A ideia é oferecer algo barato e popular”, afirma. O preço varia muito de acordo com a localização da loja, mas o valor médio da bengala de madeira é R$ 25.

Mas engana-se quem acredita que a história dessa pequena indústria foi sempre tranquila. A convivência familiar nos negócios não foi e não é simples, segundo Paulo. Mas os irmãos aprenderam a respeitar um ao outro e agora vivenciam a chegada de uma nova geração na empresa. Tiago, filho de Paulo, e Vinicius, filho de Mauricio, trabalham na Indaiá. “A ideia é que a empresa continue na família, se for a vontade deles. É uma nova geração e um novo aprendizado de relacionamento”, conclui Paulo.

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