Indústria pode terceirizar inovação ou buscar ideias em startup criada dentro da organização

Indústria pode terceirizar inovação ou buscar ideias em startup criada dentro da organização

Ambas as práticas são consideradas inovadoras e estão sendo adotadas pelas empresas brasileiras, apontam especialistas

Bruno de Oliveira, especial para O Estado,

19 de junho de 2015 | 07h15

A partir dos anos 2000, empresas preocupadas em criar modelos de negócios inovadores abandonaram antigos pontos de vista, focados na capacidade da empresa em comprar equipamentos mais eficientes, e passaram, então, a olharem para dentro de seus domínios em busca de soluções. "O que podemos fazer com o que temos para inovar e, por consequência, fazer mais, obter mais receita, com menos?", foi a pergunta que muitos empreendedores fizeram.

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Foi a aposta correta. Os negócios tidos hoje como inovadores são aqueles que, em um passado recente, passaram a olhar com mais atenção para aquilo que já possuíam dentro da empresa e, a partir desta prática, visualizaram uma fonte importante de novas ideias. Surgiu então um pilar relevante dentro da inovação no setor: estimular a capacidade de sugerir ideias entre funcionários.

"As empresas que se tornaram inovadoras foram aquelas que passaram a propor intercâmbio de ideias entre seus colaboradores, pessoas que estão mais próximas de certos gargalos da empresa que os responsáveis pela gestão, por exemplo", relata José Roberto Secorato Junior, diretor da Saint Paul Advisors, consultoria de fusões e aquisições para médios negócios.

Segundo o especialista, as pequenas e médias empresas constituem os negócios que melhor respondem a esse estímulo e conseguem melhores resultados. Isso se dá em função do número reduzido de funcionários, o que, segundo Secorato, torna a comunicação entre setores mais rápida.

"Os pequenos e médios negócios têm uma vantagem: por serem menores, a conversa com os funcionários é mais fácil, o que já é algo complexo dentro de grandes empresas. Por isso, as PMEs tendem a ser mais inovadoras porque a informação circula mais rapidamente", completa o executivo.

Outro vetor que tem movimentado a inovação em negócios é uma tendência mais recente no Brasil, que consiste em terceirizar junto às startups algumas áreas da empresa como forma de reduzir custos e atrair especialização.

Para Bruno Ghizone, especialista em inovação da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o mercado brasileiro descobriu que nos espaços acadêmicos e nas incubadoras de empresas de base tecnológica existem oportunidades de atrair métodos inovadores de gestão, por exemplo, para empresas que buscam um salto em inovação.

"Esse modelo de terceirizar um departamento da empresa que carece mais de inovação a uma empresa formada por gente jovem e detentora de know-how mais atualizado tem despertado a indústria como um todo. É interessante aos pequenos porque uma startup que atua com desenvolvimento de projetos, para citar como exemplo, pode ser mais barata e eficiente do que dois ou mais engenheiros trabalhando internamente", explica Ghizone.

O especialista conta, no entanto, que esta tendência só não conseguiu se massificar ainda mais entre as empresas porque adotá-la esbarra em uma problema de cultura organizacional neste segmento da economia, tido como conservador pelos analistas de mercado.

"O maior entrave, sem dúvida, é o problema cultural que existe. As empresas precisam ter uma proximidade maior, os empreendedores precisam entender que juntos ficam mais fortes, para tornar essa tendência algo mais fácil de ser absorvido", finaliza.

Contudo, este conceito, conhecido internacionalmente como "corporate ventures", também pode se configurar em uma estrutura pequena dentro da própria empresa. Por definição, estas células de negócios trabalham com o desenvolvimento de novas ideias que são ou podem ser absorvidas pela empresa onde estão inseridas. No momento em que esse departamento vai crescendo, geralmente ele se torna uma nova empresa.

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