Denis Balibouse/Reuters
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Indústria de chocolate prevê venda aquecida na Páscoa

Pequenas empresas do setor buscam atingir um nicho mais sofisticado de mercado e esperam um aumento acima de 20% nas vendas

Wladmir D'Andrade, Agência Estado,

07 de fevereiro de 2012 | 19h26

 As grandes fabricantes de chocolates, que já têm presença consolidada no mercado varejista, projetam um crescimento em torno de 5% no volume de vendas para a Páscoa deste ano. Já as empresas médias do setor, que buscam atingir um nicho mais sofisticado de mercado, esperam um aumento acima de 20%. É o caso da Kopenhagen, do Grupo CRM e da Cacau Show, que apostam nas vendas de suas franquias.

A Nestlé prevê que o consumo per capita de chocolate no Brasil continuará crescendo acima da variação do PIB. De acordo com o gerente de Marketing de Chocolates da empresa, Ricardo Bassani, o crescimento das vendas neste ano será superior ao da Páscoa de 2011, que foi de 4%.

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Bassani explicou que, quanto mais distante estiver a Páscoa do início do ano, época em que se concentram despesas como IPVA e IPTU, melhor o desempenho do setor em termos de vendas. Como a data deste ano cairá em 8 de abril, ele espera que as vendas se concentrem na primeira semana de abril. "Quanto mais próxima do início do ano, pior é a Páscoa. Mas, sendo em abril, está de bom tamanho", afirmou.

A Garoto informou que vai produzir neste ano 20 milhões de ovos, um aumento de 5% sobre o volume de 2011. Para o gerente executivo de Marketing da empresa, André Barros, o desempenho deste ano está sendo beneficiado pelo crescimento da renda da população, principalmente após o aumento do salário mínimo no início deste ano. "O salário mínimo injeta renda no mercado e beneficiou principalmente a classe média, que é a faixa da população em que o consumo de chocolate mais cresce", afirmou.

A Kraft, detentora da marca Lacta, afirma que a produção de ovos de chocolate para a Páscoa deste ano vai totalizar 27 milhões de unidades, ante 25 milhões no ano passado. "O Brasil não sofreu reflexo da crise internacional e o setor de chocolates cresce a dois dígitos por ano. Na Páscoa, esse crescimento ficará entre 5% e 6%", previu a gerente de Marketing da Kraft, Mariana Perota.

Já a argentina Arcor aposta nos investimentos para alcançar um crescimento de 20% no volume de vendas para a Páscoa de 2012. Segundo o gerente de Marketing de Chocolates, Ciro Mariani, a empresa aposta em novos produtos e licenciamentos.

Bem mais otimistas que a grande indústria, a Kopenhagen espera crescer 28% em volume de vendas, para 476 toneladas de itens para Páscoa, e a Cacau Show espera que o aumento no volume seja de 23%.

A justificativa, de acordo com o presidente da Cacau Show, Alexandre Costa, é que essas empresas, voltadas a produtos mais sofisticados, ditam a tendência do mercado de chocolates. "Nós somos o P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) do mercado. É como se fôssemos a alta costura do setor", disse, em referência aos lançamentos das marcas, que mais tarde são copiados para a grande indústria.

A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), mesmo sem divulgar projeções, espera que a Páscoa deste ano tenha um desempenho tão bom quanto a de 2011. Segundo o presidente da entidade, Getúlio Netto, o brasileiro consome em média 2,2 quilos de chocolates por ano, cifra que, segundo ele, está abaixo de países europeus e dos Estados Unidos. "A nova classe média trouxe consumidores e o mercado regular de chocolates cresce junto", afirmou. "Se tem chocolate, renda e festa, pode apostar que vai ser muito bom."

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