Reprodução ISDEL
Reprodução ISDEL

Índice do Sebrae que mede desenvolvimento econômico local tem nova versão

Métrica Isdel ajuda a compreender fatores de desenvolvimento e como estimular empreendedorismo; só cerca de 20% dos municípios brasileiros têm nível alto ou muito alto

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2022 | 18h00

No intuito de fortalecer o empreendedorismo não só dos pequenos negócios mas das regiões em que eles estão inseridos, o Sebrae lançou uma nova versão do Índice Sebrae de Desenvolvimento Econômico Local, o Isdel 2.0. Criada em 2018, a métrica ajuda a entender os fatores determinantes para o desenvolvimento econômico de um território.

Com a recente reformulação, a ferramenta analisa 106 variáveis, que são agrupadas em 39 indicadores e divididas em cinco dimensões: capital empreendedor, tecido empresarial, governança para o desenvolvimento, organização produtiva e inserção competitiva. Cada dimensão engloba outras áreas, como educação empreendedora, condições empresariais, gestão fiscal, planejamento, inovação, saneamento, turismo e economia criativa.

Fazer esse tipo de avaliação é importante para identificar o potencial de cada região, Estado e município e, com isso, promover políticas públicas, programas de investimento e outros recursos que contribuem para o avanço do empreendedorismo local, defende o Sebrae. "Com a reformulação, o índice apresenta uma correlação ainda melhor com índices de desenvolvimento de referência nacional e internacional, tais como o PIB per capita e o IDH", diz a economista Bárbara Castro, analista da Unidade de Inteligência Empresarial do Sebrae Minas.

O índice geral compreende valores entre 0 e 1, sendo que quanto maior o valor, mais alto é o nível de desenvolvimento econômico. A escala é distribuída em cinco classificações:

  • Muito baixo: índice abaixo de 0,150
  • Baixo: localidades com ISDEL entre 0,151 e 0,310
  • Médio: territórios entre 0,311 e 0,470
  • Alto: regiões com índice entre 0,471 e 0,630
  • Muito Alto: índice igual ou superior a 0,631

De acordo com a escala, pouco mais de 40% dos municípios brasileiros têm índice médio e cerca de 20% chegaram ao nível alto ou muito alto. A ferramenta permite consultar e comparar a situação dos locais por meio de mapas (veja aqui), em que os Estados de Sul, Sudeste e Centro-Oeste estão na faixa de alto índice, com destaque para São Paulo único avaliado como muito alto (0,657). Em seguida, na faixa alta, vem Distrito Federal (0,617), Rio de Janeiro (0,613) e Santa Catarina (0,594). No valor mais alto da faixa média está Rondônia (0,461) e no mais baixo está o Maranhão (0,331).

"O objetivo desta classificação não é criar uma competição entre as localidades, mas possibilitar que gestores públicos e sociedade civil entendam com mais clareza suas vantagens comparativas e competitivas e, assim, possam criar estratégias para impulsionar o desenvolvimento local ou regional", ressalta a economista.

O Isdel é uma métrica criada a partir da Abordagem DEL, lançada pelo Sebrae Minas em 2016 a fim de trabalhar os componentes necessários para o desenvolvimento econômico dos territórios. Esse progresso está relacionado às cinco dimensões adotadas também pelo índice. Veja abaixo o que pode ser trabalhado em cada uma delas para melhorar o índice:

  • Capital empreendedor: quantidade e qualidade de empresas, empreendedores e lideranças nas regiões;
  • Tecido empresarial: redes formais e informais de empreendedores e empresas atuam coletivamente nas localidades em prol dos seus interesses;
  • Governança para o desenvolvimento: visão comum de futuro construída de maneira compartilhada, participativa e democrática com a comunidade e presença de um plano estratégico de desenvolvimento econômico que olhe para o futuro
  • Organização produtiva: é como cada território organiza suas atividades econômicas para gerar renda e riqueza;
  • Inserção competitiva: conjunto de ações necessárias para que o território se posicione externamente de maneira competitiva, contribuindo para a dinamização da economia.

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