Andre Lessa/Estadão
Andre Lessa/Estadão

'Índice batom' perde encanto e vira teoria sem comprovação

Retração de 8%, já com a inflação descontada, mostra que o setor de cosméticos não é uma ‘ilha de prosperidade’

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2016 | 08h10

Com queda de 8% no faturamento de 2015 para 2014, já descontada a inflação, o setor de cosméticos mostra neste momento que não é a ‘ilha de prosperidade’ tão comentada por parte dos empresários no passado. A crença no ‘índice batom’, segundo o qual mesmo em crises o consumidor tende a buscar nos cosméticos a indulgência para enfrentar as dificuldade, é para muitos, hoje, uma teoria sem fundamento. 

“O que acontece é que os ciclos econômicos tendem a demorar mais para chegar no setor de beleza em geral. Mas com o desemprego e a desvalorização do real, o nosso mercado sente o impacto”, conta Olivier Chemin, presidente da rede Jaques Janinie.

Segundo dados da Abhipec, o segmento teve faturamento líquido de R$ 42,6 bilhões em 2015. O dado foi determinante para a redução no emprego direto a partir de junho do ano passado, fechando 2015 com queda de 3,3% em postos formais de trabalho. “A categoria de produtos para banho, que tinha bom desempenho no Brasil, figurando em segundo lugar no mercado mundial, caiu para quarto lugar em 2015”, afirma o presidente da Abhipec, João Basílio.

Até mesmo as grandes cadeias do setor parecem ter sentido o impacto do novo momento. Segundo fontes, a rede de franquias de cosméticos O Boticário reduzirá o número de lojas em São Paulo, principal praça da marca curitibana, para melhorar sua eficiência nacional. Já a Natura, que sempre apostou no modelo de vendas diretas, inaugura hoje sua primeira loja física, no Shopping Morumbi. Por trás da estratégia, dizem analistas, está a tentativa de abrir novas frentes para retomar um padrão de crescimento experimentado no passado. 

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