Epitacio Pessoa/AE
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Inadimplência foi a menor para agosto em 2 anos no País

Participação de endividados com parcelas em atraso foi de 19,6% em agosto, inferior aos de agosto de 2010 (25,4%)

Alessandra Saraiva, Agência Estado,

13 de setembro de 2011 | 16h33

Favorecida por um mercado de trabalho ainda aquecido, a inadimplência atingiu no mês passado o menor nível para agosto dos últimos dois anos, segundo levantamento da Fecomércio-RJ liberado com exclusividade para a Agência Estado. A pesquisa revelou também aumento na preferência por cartões de crédito nas modalidades de pagamento, em detrimento de carnê. Houve ainda avanço no número de consumidores que notaram mais dinheiro sobrando em agosto - e quase a metade destes planejam poupar esta folga no orçamento.

Entre os entrevistados, a participação de endividados com parcelas em atraso foi de 19,6% em agosto, inferior aos de agosto de 2010 (25,4%); e agosto de 2009 (21,8%). De acordo com a pesquisa, que ouviu 1.000 domicílios em nove regiões metropolitanas do País, o porcentual de endividados no total de entrevistados permaneceu estável de 2010 para 2011, em 42,1% para meses de agosto. A fatia também permaneceu inferior à de agosto de 2009 (44,8%), época da crise global, quando isenções tarifárias e medidas de incentivo ao consumo estavam em alta.

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O porcentual de inadimplentes superou ligeiramente o apurado em julho deste ano (19,5%), mas para evitar efeitos sazonais, a melhor comparação é sempre com iguais meses de anos anteriores, segundo o economista da Fecomércio-RJ, Paulo Padilha. Ao mesmo tempo, subiu o número de consumidores com as contas em dia: o porcentual de consumidores sem dívidas em atraso passou de 73,8% em agosto de 2010 para 80,3% em agosto deste ano.

Padilha citou a renda do trabalhador como um dos principais motivos para o bom cenário apontado pela análise. Quase um terço dos entrevistados (27,2%) informaram em agosto que vai sobrar dinheiro após pagamento de todas as despesas. Esta fatia é a maior para esse quesito nos últimos quatro anos. Deste porcentual de 27,2%, 23,3% informaram que vão poupar a sobra do orçamento em caso de necessidade futura; e 22,2% desejam poupar para gastar no futuro. Os dados da Fecomércio-RJ mostram trajetória similar ao do Indicador Serasa Experian de Perspectiva da Inadimplência do Consumidor, que subiu 0,3% em junho de 2011, a menor variação dos últimos 11 meses.

Para a economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thaís Zara, a expectativa é de que a inadimplência se estabilize. Isso porque o mercado de trabalho não apresenta sinais de deterioração. "Mesmo que o governo não atinja esta meta de três milhões de empregos formais para este ano, isso não indica sinal negativo" disse, lembrando que o emprego já opera, desde o ano passado, em patamares elevados.

Cartões

O levantamento apurou ainda aumento na procura por parcelamento no cartão de crédito. O porcentual de endividados que optam por esta modalidade subiu de 27,5% em agosto de 2010 para 28,1% em agosto de 2011. No mesmo período, caiu de 57,3% para 54,8% a preferência por carnês.

As famílias de baixa renda são as que mais impulsionam este avanço. A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) tem notado desde 2009 o avanço das classes C, D e E no uso de cartão de crédito, e realiza campanhas de esclarecimento sobre o uso da modalidade, voltadas para este novo consumidor.

Para o presidente da Abecs, Claudio Yamaguti, a utilização do cartão pelo consumidor brasileiro só tende a crescer no Brasil. "Em 2010, o faturamento da indústria de cartões, crédito, débito e lojas, foi de R$ 541 bilhões. Estimamos chegar a R$ 1,3 trilhão em 2015" disse. Para 2011, a projeção é que a indústria como um todo atinja R$ 667 bilhões - um avanço de 23% contra o ano passado. 

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