Paulo Liebert / AE
Paulo Liebert / AE

Inadimplência do consumidor tem a maior alta semestral em 9 anos

Evolução ocorreu em quase todas as modalidades de pagamento

Estadão.com.br,

11 de julho de 2011 | 12h22

 A inadimplência no primeiro semestre desse ano subiu 22,3% em relação ao mesmo período de 2010, de acordo com o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor. Trata-se do maior aumento em nove anos. Segundo os economistas da instituição, o crescimento da inadimplência no semestre é justificada pelos efeitos da política monetária para controle da inflação, alta dos juros, IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e encarecimento do crédito.

Ainda de acordo com os economistas, a evolução ocorreu em quase todas as modalidades de pagamento, excluindo apenas os protestos. O consumidor enfrenta uma redução no poder aquisitivo e o crescente endividamento dificulta o pagamento das dívidas assumidas anteriormente. Em entrevista ao Estadão PME, Roque Pellizzaro, presidente da Confederação Nacional de Lojistas (CNDL), aponta a restrição na concessão de crédito ao consumidor como alternativa para minimizar a inadimplência. "A situação é preocupante porque já são quatro meses de aumento da inadimplência. A única coisa pior que não vender, é vender e não receber", afirma Pellizzaro.

Eles chamam atenção para o crescimento da inadimplência com cheques, devido a vários segmentos do varejo intensificarem o uso do pré-datado, para contornar os custos com cartões de crédito e para aliviar o consumidor do maior IOF.

Comparações

A inadimplência do consumidor também apresentou crescimento nas comparações mensais e anual. Na relação mensal, o índice perdeu o fôlego e registrou alta de 7,9%, na comparação com maio. Na análise anual, o indicador apontou crescimento de 29,8% (em maio o percentual foi de 21,7%), representando o maior aumento desde maio de 2002.

Na decomposição do indicador, a inadimplência com os bancos foi a principal responsável pela alta do índice mensal, com aumento de 8,1% (contribuição de 3,8 pontos percentuais na variação total). As dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica e água), e os cheques sem fundos também colaboraram para a alta do indicador com variação de 5,4% (2,2 p.p) e 18,9% (2,1 p.p), respectivamente. Os títulos protestados não permitiram que o índice subisse pouco mais e apresentou queda de 11,7%, com contribuição negativa de 0,2%.

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