Thiago Teixeira/AE
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Inadimplência das empresas sobe 19% em 2011; pequeno deve redobrar a atenção com a economia

Caso a crise piore e chegue com força ao País, pequenos empreendimentos podem ter dificuldade em tomar dinheiro emprestado

ESTADÃO PME,

30 de janeiro de 2012 | 08h45

 A inadimplência das empresas cresceu 19% no ano passado, informa relatório divulgado na manhã desta segunda-feira (dia 30) pela Serasa Experian. Trata-se do maior 'calote' em dois anos, mesmo assim, a alta foi inferior a observada em 2009 (25,1%). Naquele ano, os negócios sofreram diretamente os impactos da crise mundial após a quebra de diversos bancos nos Estados Unidos.

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Segundo os economistas da Serasa Experian, em 2011 as empresas passaram por vários fatores que afetaram seu fluxo de caixa e, dessa forma, o desempenho desses empreendimentos ficou prejudicado. Entre eles, está o aumento da inflação, que pressionou os custos do empresário, os juros elevados - eles começaram a cair apenas no finalzinho do ano - e   queda da atividade econômica de maneira geral.

Cuidados dos pequenos empresários

Economistas consultados pelo Estadão PME acreditam que a inadimplência e o endividamento devem diminuir neste ano. Mas esse cenário pode mudar para pior caso os problemas enfrentados pela Europa se intensifiquem com a quebra de instituições financeiras, como ocorreu em 2008.

Vale lembrar que a perspectiva de redução da inadimplência, ocorre, sobretudo, por causa da alta de 14% no salário mínimo – saltou de R$ 545 para R$ 622 – associada aos baixos índices de desemprego e a perspectiva de queda da inflação.

O dinheiro extra deve ajudar o consumidor a quitar suas dívidas. “Ao contrário do ano passado, o salário mínimo teve aumento real, o que melhora o poder de compra do consumidor”, explica o economista da consultoria LCA, Wermeson França. Segundo os especialistas, a inadimplência deve permanecer estável no primeiro trimestre do ano-novo e entrar em trajetória de queda a partir do segundo.

Mesmo assim, o empresário deve redobrar os cuidados com o caixa da empresa. Isso porque o acesso ao crédito tende a ficar mais difícil caso persista a crise na Europa. “Podemos ter a repetição de 2008, quando grandes empresas que se financiavam no exterior buscaram dinheiro no mercado doméstico e, para financiá-las, os bancos reduziram o crédito para pequenas e microempresas”, lembra Luiz Rabi, economista da Serasa Experian.

Leia o que os pequenos fizeram para superar dificuldades

Roberto Miranda sabe bem como a falta de dinheiro pode impactar negativamente um negócio. Empreendedor desde os 17 anos, ele abriu em 20o1 uma escola de educação corporativa. Tudo ia muito bem e Miranda até tomou empréstimo para financiar a expansão da empresa. Com a crise de 2008, entretanto, ele acabou se endividando.

Sem reservas no caixa, o empresário viu sua dívida crescer e a empresa encolher. A solução foi trocar o espaço de mil metros quadrados, onde ficava a escola, por um modesto escritório de 33 m². Para aumentar o caixa, o empresário decidiu criar novos cursos e também passou a usar salas alugadas para a realização das aulas. “Transformei despesas fixas em variáveis”, explica.

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Em um ano, Miranda conseguiu quitar as dívidas e hoje a escola voltou a ter sede própria, retomando assim o caminho do crescimento. “Agora prefiro negociar diretamente com os meus fornecedores”, afirma o empreendedor paulistano.

Quando comprou uma empresa especializada em terceirização de mão de obra com 30 anos de atuação no mercado, o administrador Leonardo Silva Leandro acreditava investir em um negócio comprovadamente sólido. Mas ele acabou surpreendido com a falta de controle financeiro do empreendimento, o que gerava inúmeros prejuízos e, dessa maneira, impedia a expansão pretendida por Silva. “Descobri que o pagamento de um contrato cobria os prejuízos do outro, as dívidas eram uma verdadeira bola de neve e o faturamento real da empresa era de apenas R$ 13 mil por mês”, relembra o empresário.

Silva Leandro, que não tinha experiência anterior como empreendedor, precisou apostar em seu talento como administrador. Mas ele também tomou decisões difíceis para garantir a sobrevivência da empresa. Sem crédito no mercado devido às dívidas, primeiro, Silva cortou custos e boa parte das posições de trabalho. De 60 funcionários, a empresa passou a contar com apenas oito pessoas.

Os preços dos serviços prestados pelo negócio foram recalculados e contratos deficitários, rescindidos. “Ficou claro que os antigos proprietários não conheciam a operação, caso contrário, enxergariam os problemas”, acredita Silva. O fato de a empresa atuar no mercado durante tanto tempo também ajudou o Empreendedor a conquistar credibilidade. Por isso, Silva fechou contrato com grandes parceiros, elevando assim o faturamento mensal para R$ 180 mil.

O bom momento permitiu ao negócio voltar a contratar – atualmente, 70 funcionários fazem parte da operação. “É essencial ter controle do fluxo de caixa e planejamento financeiro para superar as adversidades”, garante Silva.

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