Daniel Teixeira/AE
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IBGE: crédito restrito e inflação impactaram varejo em 2011

Nos 12 meses encerrados em novembro de 2011, o comércio varejista registrou expansão de 7,0%, contra uma alta de 10,8% nos 12 meses encerrados em novembro de 2010

Daniela Amorim, Agência Estado,

12 de janeiro de 2012 | 12h23

 A restrição ao crédito e o aumento de preços foram os principais responsáveis pela desaceleração nas vendas do comércio varejista brasileiro em 2011, na comparação com 2010, segundo Nilo Lopes, técnico da Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Setores que dependem mais da renda e do emprego apresentaram resultados mais favoráveis.

Nos 12 meses encerrados em novembro do ano passado, o comércio varejista registrou expansão de 7,0%, contra uma alta de 10,8% nos 12 meses encerrados em novembro de 2010, uma diferença negativa de 3,8 pontos porcentuais. O efeito no varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, foi ainda maior: +7,7% em 12 meses até novembro de 2011 contra 12,1% nos 12 meses até novembro de 2010, uma diferença de -4,4 pontos porcentuais.

"Ou seja, o cenário econômico de 2011 não foi tão bom quanto tinha sido o de 2010 para o comércio varejista. O setor cresceu, mas bem abaixo de 2010", disse Lopes. "Em 2010, o comércio varejista fechou em 10,9%", lembrou.

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Os setores que mais sentiram a desaceleração nas vendas foram veículos, com alta de 8,4% nos 12 meses até novembro de 2011 contra 14,0% na leitura anterior (-5,6 pontos porcentuais); hipermercados e supermercados, com expansão de 4,2% contra 9,3% na mesma comparação (-5,1 pontos porcentuais); tecidos e vestuário, com +5,0% contra 10,1% (-5,1 pontos porcentuais); material de construção, com +10,0% ante 15,0% (-5,0 pontos porcentuais); e combustíveis e lubrificantes, com +2,1% ante 6,5% (-4,4 pontos  porcentuais).

Todos os grupos citados acima sofreram pressão ou da expansão menor do crédito ou do aumento da inflação no período. "O setor de hipermercados está com crescimento de apenas 4,2% em 12 meses, quase a metade da taxa do varejo. O setor teve o impacto da inflação dos alimentos, que perdurou até julho de 2011. De julho para cá, começou a arrefecer o ritmo de aumento de preços, o que melhorou o desempenho do grupo. O setor de combustíveis e lubrificantes também vinha sofrendo com preços, e agora melhorou  um pouco", contou Lopes.

Registraram desempenho melhor os setores: de equipamentos de informática e comunicação (com alta de 18,6% em 12 meses até novembro de 2011 contra 21,4% no período mediatamente anterior); artigos farmacêuticos e de perfumaria (de 10,4% contra 11,6%); livros e papelaria (de 9,0% contra 10,1%) e móveis e eletrodomésticos (de 16,9% contra 17,7%).

"Os setores que não dependem tanto de crédito tiveram resultado melhor. E houve pressão favorável de preços também, com queda de preços em móveis e eletrodomésticos e em equipamentos de informática e comunicação. Então esses grupos não tiveram muito retrocesso em relação a novembro de 2010", afirmou o técnico do IBGE. "O crescimento da renda mantém esses setores crescendo também. O aumento do emprego formal facilita muito a tomada de decisão na compra desses equipamentos, que não têm valor unitário muito alto", acrescentou.

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