Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Hub de negócios negros abre casa gratuita para produção digital

Casa PretaHub, na região central de São Paulo, terá estúdio de podcast, biblioteca e equipamentos de fotografia; PretaHub lança também marketplace e divulga 19ª edição da Feira Preta, 100% online

Marina Dayrell, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2020 | 05h00

Driblando os desafios impostos pela pandemia do novo coronavírus, a PretaHub - aceleradora e incubadora de empreendedorismo negro - teve que mudar alguns planos para se reinventar em 2020. A palavra de ordem tem sido a digitalização, que começa em setembro com a inauguração da Casa PretaHub, um espaço focado na produção de conteúdo digital para pequenos negócios.

Localizado no Anhangabaú, na região central de São Paulo, o espaço foi construído para ser um coworking, mas a pandemia fez com que a ideia se transformasse em um casa com cenários e utilidades para desenvolver negócios e gerar conteúdo online para afroempreendedores. Segundo pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), de 2018, 40% dos empreendedores brasileiros são pretos ou partos, enquanto 35% são brancos.

"Estamos passando pelos mesmos desafios que os pequenos e microempreendedores, que é a transformação digital. Tudo era offline e agora estamos aprendendo o processo de transformação, desde estudar plataformas até o letramento digital", explica a CEO da PretaHub, Adriana Barbosa

O empreendedor ou artista que for à Casa PretaHub terá acesso à internet e a uma estrutura tecnológica, como salas individuais, estúdio de podcast e música, equipamento de fotografia, cozinha industrial e de produção de conteúdo, além de uma biblioteca comunitária e uma galeria de arte abastecida constantemente com obras de artistas negros. 

O acesso a casa é gratuito para os afroempreendedores que quiserem utilizar os espaços. As inscrições devem ser feitas no site da PretaHub. Haverá também a opção de um pacote premium para quem desejar a prestação de serviços. "Vamos utilizar a mão de obra dos empreendedores negros que estiverem alocados na casa. Por exemplo, se quiser usar o estúdio é gratuito, mas se precisar do acompanhamento técnico e de edição, a pessoa paga a mão de obra", explica Adriana.

A segunda novidade digital do PretaHub é o lançamento de um marketplace, com patrocínio do Santander, para mais de mil afroempreendedores. A previsão é que a plataforma seja lançada em novembro já com 50 empreendedores que passaram por uma curadoria. 

“Com o marketplace e a Casa PretaHub estamos com uma visão de ecossistema. Dando certo esse formato em São Paulo, a ideia é replicar esse modelo de franquia social em outros Estados. Já estamos conversando para uma versão no Recôncavo Baiano para ajudar os empreendedores, criadores e autônomos a passar pela gestão do negócio e pelo letramento digital a partir de um espaço físico”, conta.

Para completar a tríade de reinvenção do negócio, Adriana Barbosa anuncia que a 19ª edição da Feira Preta - considerada uma das maiores feiras de negócios e cultura negra da América Latina - será totalmente online, pela primeira vez. Em sua última edição, no Memorial da América Latina, o evento reuniu cerca de 170 expositores e recebeu em torno de 35 mil visitantes, movimentando R$ 1,5 milhão.

A próxima edição da Feira Preta será realizada entre os dias 20 de novembro e 2 de dezembro, com uma programação composta por uma série de shows, palestras, produtos e serviços criados por empreendedores negros.

“A ideia é que a gente tenha todas as linguagens que costumamos ter na Feira Preta presencial. Desde o universo infantil até artes plásticas, fotografia, filmes e sessões de diálogos criativos com participação de participantes internacionais. Vamos trazer especialistas em gastronomia que têm olhar para a diáspora africana como inspiração. E terá delivery de comida para algumas regiões de São Paulo”, destaca Adriana. 

O cadastro para os afroempreendedores interessados em se tornarem expositores será feito no início de novembro. Os selecionados participarão de lives para falar dos seus produtos e serviços e a venda será feita por QR code. 

Na última edição da feira, em 2019, um levantamento realizado pelo Instituto Mas com 401 pessoas negras que passaram pelo evento apontou que 72,8% dos entrevistados costumam comprar de afroempreendedores. Entre os itens mais buscados estão roupas, 36%, acessórios, 18%, e cosméticos, 7%.

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