Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Homens e brancos são maioria entre fundadores de startups no Brasil

Mapeamento de Comunidades 2020, realizado pela Associação Brasileira de Startups, mostra falta de diversidade no ecossistema de inovação; entidade faz recorte de gênero e raça pela primeira vez

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2020 | 19h16

Apenas 5,8% dos fundadores de startups são negros. Sobre a representação feminina no ecossistema, somente 12,6% das empresas de tecnologia são fundadas por mulheres. Os dados fazem parte do Mapeamento de Comunidades 2020, elaborado pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups). É a primeira vez que a entidade mapeia dados do setor com recorte de raça, gênero e orientação sexual entre fundadores e equipes de empresas de tecnologia.

A pesquisa ocorreu entre os meses de maio e setembro e teve como participantes 3 mil empresas espalhadas pelo Brasil, que estão na base de associados da ABStartups - estima-se que o Brasil tenha 13.336 startups.

Os dados escancaram a falta de diversidade do ecossistema nacional. Entre os fundadores, os homens são maioria, representando 59,2%. Quando há mais de um fundador, startups com a maioria masculina correspondem a 18,5% e com maioria feminina 2,45% do total. 

Com o recorte de raça, 64,8% se autodeclaram brancos. Pardos representam 22,7%, amarelos 2,2% e indígenas 0,5%. No cruzamento entre raça e gênero, os homens pardos e amarelos são 84,5% contra 15,5% das mulheres pardas e amarelas. O público masculino também é a maioria entre os que autodeclaram negros (80,7%). Sobre orientação sexual, 92,3% dos fundadores se declaram heterossexuais, enquanto que  3,9% se declaram homossexuais e 1,5% bissexuais.

A falta de diversidade no ecossistema também é constatada entre os colaboradores: 26,9% das startups não têm nenhuma mulher no quadro de funcionários. Os negros estão ausentes em 52,8% delas. Quando questionados sobre profissionais PCD (pessoa com deficiência) entre os funcionários, 94,5% das startups não têm nenhum deles na equipe. Por fim, profissionais transgênero também estão ausentes em 96,7% das empresas participantes do levantamento.

Mesmo com um ecossistema majoritariamente masculino, branco e heterossexual, 88,4% das pessoas que participaram do mapeamento acreditam que sua startup apoia a diversidade, sendo que 75,1% consideram importante ou muito importante apoiar o tema, e 19,5% consideram a pauta essencial.

Diversidade e inovação são constantemente mencionados por especialistas como aspectos complementares no ambiente de negócios.  “Se eu quero sobreviver, gerar criatividade e inovação, eu preciso ter ambientes com culturas inclusivas. Diversidade é a forma mais inteligente de gerar negócios”, explicou Filipe Sena, especialista de RH e Diversidade e Inclusão na GI Group, em reportagem especial do Estadão publicada em junho deste ano.  

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