Antonio Afonso Junior se diz engenheiro por formação e padeiro por opção
Antonio Afonso Junior se diz engenheiro por formação e padeiro por opção

Herdeiros pagam para pais e tios abandonarem gestão de padaria tradicional em SP

Terceira geração decidiu fazer algo pouco comum no mercado: uma oferta de aquisição do negócio para os pais e tios

Gisele Tamamar, O Estado de S. Paulo,

30 de abril de 2015 | 06h59

O movimento que levou a terceira geração da família a assumir o controle da Padaria Brasileira não pode ser considerado como mera passagem de bastão ou até mesmo uma simples herança. Em uma reunião considerada histórica pelos proprietários, os irmãos e primos sentaram-se de frente com os pais e tios, seis de cada lado, para tratar da decisão de compra do negócio, que está no comando dos ‘Afonsos’ desde 1953.

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E dois episódios motivaram o engenheiro Antonio Henrique Afonso Junior a tomar a dianteira da negociação e fazer a proposta de aquisição. Com uma inflação descontrolada, a informação, numa quarta-feira, de que o cigarro subiria na sexta-feira seguinte o incentivou a comprar um lote maior. Mas os clientes também compravam mais antes da alteração de preço.

“Um dos meus tios deu uma dura porque o escritório estava cheio de cigarro. Mais tarde, um cliente queria comprar Minister, não tinha e eu recebi outra dura do meu pai”, contou. As duas broncas fizeram com que o engenheiro conversasse com o pai para definir uma maneira adequada para que houvesse o repasse definitivo do comando. E das responsabilidades.

A terceira geração já tinha assumido o negócio, mas a formalização, por meio da compra, foi feita dois anos depois e tornou a geração efetivamente dona da padaria, que começou em Santo André, na região do ABC. Desde então, a empresa ganhou uma fábrica, tem dez unidades e atende cerca de 3,5 milhões de clientes por ano – as coxinhas e os sonhos são os carros-chefe.

A história da padaria começou com o casal Abel e Maria Candida Afonso. Na época, era comum comprar uma padaria em baixa, investir na revitalização do negócio e capitalizar com essa transformação.

Assim, o casal vendeu uma operação lucrativa em São Caetano do Sul e comprou a unidade de Santo André. Em 1959, os filhos Albino, Amelia e Antonio assumiram o comando e muito tempo depois, em 1986, viram as vendas duplicarem em pleno Plano Cruzado. O movimento era tanto que a carga excessiva de trabalho fez com que os donos até cogitassem a venda do empreendimento.

Foi aí que a terceira geração resolveu se envolver na conversa. “Ficamos meses conversando, estabelecendo uma série de regras para perpetuar o negócio. Tivemos consciência que o grau de tolerância na terceira geração é infinitamente menor do que se tem com seus irmãos e menor ainda com os pais.”

Junior chegou a ficar um tempo afastado do negócio na época da faculdade, mas voltou para assumir a operação de vez. Segundo ele, foi muito difícil fugir das raízes familiares.

O curioso é que os avós de Junior, por parte de mãe, também tinham uma padaria. “Eram concorrentes, uma padaria ficava a 300 metros da outra. Foi assim que meus pais se conheceram. Um trabalhava na padaria e outro no mercadinho. Costumo falar que sou engenheiro por formação, pós-graduado em administração e padeiro por opção”, afirmou

Na mão da terceira geração, o empreendimento deixou de ficar restrito a apenas uma unidade e iniciou uma expansão. São cinco padarias tradicionais e cinco no modelo express, que passa por ajustes para servir de modelo para a expansão da marca por meio de franquias. Mesmo diante do desaquecimento da economia, Junior não está pessimista. “Não diria que nosso setor é imune, mas ele não é tão sensível. Nesse cenário, sentimos mais uma redução no mercado corporativo, mas fizemos um investimento maior no desenvolvimento de produtos com maior valor agregado”, afirmou.

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