Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

'Há 3 anos não temos novos franqueados', diz presidente do O Boticário

Artur Grynbaum diz que não existe espaço para os novos parceiros nas capitais, mas nega o rótulo de ‘rede fechada’

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2016 | 05h00

O Boticário, a maior rede de franquias do Brasil, tem 3.760 unidades e um ritmo de 150 novas lojas por ano (em 2015, a empresa sentiu a crise econômica e abriu 75). Mesmo assim, há três anos a empresa não tem um novo franqueado. Segundo o presidente Artur Grynbaum, isso acontece devido a uma estratégia de promover expansão dentro da base atual. “Se uma pessoa em um grande centro só tem uma loja, pra mim ela não deu certo”, afirma o empresário. Confira os principais trechos da entrevista.

Com 900 franqueados e quase 4 mil unidades, há quanto tempo não existe um operador novo no O Boticário?

Da última vez (que fechamos com alguém novo), faz uns três anos. Foi uma operação mais para o interior, se não me engano foi no Nordeste.

O Boticário é uma franquia fechada para novos investidores? 

O pessoal fala que somos fechados, mas não é verdade. Eu digo que eu tenho uma preferência para oferecer negócios para os meus parceiros atuais para que eu possa dar uma maior base de operação para eles. Se o franqueado é um bom operador, se tem uma boa gestão, eu tenho interesse que ele cresça conosco. Se você for bom e te der mais lojas você concentra sua atenção comigo?

Seja como for, a estratégia de concentração de franqueados vem sendo adotada por cada vez mais empresas. Acha que esse será o futuro do setor?

Temos de considerar que o Brasil é muito grande, então não vai ter uma solução única para tudo. Mas acho que isso vai ter em capitais, onde há um poderio econômico maior, serviços estruturados para franqueados mais pesados, como neste caso. Mas no interior a história é outra. Há por lá uma capilarização muito grande e com espaço para o franqueado individual. Assim funciona com a gente.

Isso quer dizer que há espaço em sua rede para o franqueado familiar no interior. Você venderia uma unidade para quer comprar franquia para o filho ou a esposa?

Sem chances (risos). Eu olho muito o potencial de mercado. E potencial de mercado, veja, eu não estou falando de poderio econômico. Estou falando da capacidade econômica de uma cidade, de um município e não do operador. Mas como empresário eu analiso se eu tenho uma cidade com indicadores econômicos para muitas unidades. E isso vai levar a um plano de negócio, um plano de expansão do operador. Se uma pessoa em um grande centro só tem uma loja, pra mim ela não deu certo, a pessoa tem de crescer.

Mas existem oportunidades para novos investidores dentro do O Boticário? Talvez em uma de suas outras três marcas (quem disse Berenice?, Eudora e The Beauty Box).

Dessas quatro marcas, somente O Boticário e a quem disse Berenice? são marcas operadas por franqueados. E todos os franqueados de quem disse Berenice? são de O Boticário. Mas existem oportunidades. São oportunidades mais restritas, mas têm. Vamos fazer 40 anos em 2017. É uma vida. Muitos franqueados têm 30 anos conosco, nós captaneamos no ano passado um projeto de sucessão com eles. Ou seja, a gente prepara a família, os donos da franquia para assumir as unidades. Não é um processo puramente técnico, a gente não manda o cara para o MBA apenas. Interessa os valores de cultura da marca. Alguns não têm sucessores pré-definidos e isso vai abrir oportunidades no futuro de repasse de operações.

 

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