Clayton Souza/Estadão
Clayton Souza/Estadão

Gustavo Caetano, da Samba Tech: "Quanto mais rápido você falhar, melhor"

Criador da Samba Tech compartilhou com outros empreendedores o que aprendeu em sua (ainda) curta trajetória

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

28 de fevereiro de 2013 | 16h30

Gustavo Caetano nunca pensou em encontrar uma oportunidade para empreender. O sonho dele era ser executivo de uma grande empresa, como o pai. Mas aí Caetano notou a falta de fornecedores de jogos para celulares que existia no Brasil. Era 2004 e começava assim, quase por acaso, a história da Samba Tech – hoje uma plataforma própria de distribuição de vídeos online que conquistou mercado rapidamente.

Caminho que começou como revenda de jogos e chegou até a liderança, na América Latina, da gestão e distribuição de vídeos para empresas. Mas a trajetória de Gustavo não foi linear, ao contrário do que muitos podem imaginar. “Uma estratégia que aprendi quando tive a oportunidade de estudar com o fundador do Netscape e uso até hoje é: ‘quanto mais rápido você falhar, melhor’”, contou Gustavo, que também é presidente da Associação Brasileira de Startups (Abstartups).

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Enquanto ganhava dinheiro com games para celulares, Gustavo teve a ideia de criar uma plataforma para vender jogos online para computadores. A empresa investiu pesado, fez parcerias e licenciou produtos.

Mas não deu certo. Era 2007. “A pirataria era grande e a conexão de internet, ruim. As pessoas chegavam a demorar três dias para baixar um jogo, isso quando não perdiam a conexão. E tinha muita fraude. Deu errado e demoramos a aceitar isso. Ficamos um ano perdendo dinheiro. Mas chegou um momento em que pensamos: ‘ou a gente matava esse negócio ou ele ia matar a gente’”, lembrou.

O ponto interessante nessa história é que a plataforma usada para o download de jogos foi justamente a mesma usada para fazer o protótipo para distribuição de vídeo, mercado dominado hoje pela Samba Tech.

Essa e outras histórias foram compartilhadas por Gustavo durante o encontro promovido pelo Estadão PME com pequenos empresários e com potenciais empreendedores. Confira os principais trechos do evento.

Observação

O conselho de Gustavo para quem busca uma oportunidade de negócio é não achar problemas que se encaixem na sua solução. Ele fala isso por experiência própria. Durante uma reunião em uma emissora de televisão, ele viu um monte de fitas na mesa do diretor.

“Mineiro que sou, perguntei: ‘o que é esse trem aí?’ Eram fitas de comerciais aprovados pelas produtoras e enviadas via motoboy para a emissora. Ou seja, o comercial era produzido digitalmente, transformado em analógico para ser transportado, e virava digital novamente para a transmissão”, lembrou.

Inconformado com o processo, Gustavo foi atrás de um sistema para gerenciar o envio de comerciais entre agências e emissoras. Assim nasceu a Samba Ads, que em fevereiro recebeu aporte de US$ 500 mil de quatro grandes investidores. “Foi um negócio que surgiu a partir de uma observação.”

 

Velocidade

A Samba Tech tem uma abelha como mascote para remeter a ideia de agilidade e do trabalho em grupo. No escritório da empresa, localizado em Belo Horizonte, também não há sala do ‘presidente’. “Todo mundo senta um do lado do outro. As estratégias e metas estão na parede e todo mundo acompanha os processos”, disse Gustavo.

Por isso, de acordo com o empresário, as pequenas empresas que tentam copiar o que as grandes companhias têm de ruim sofrem da ‘síndrome de pequeno poder’. “Às vezes, o dono do negócio fica isolado em uma sala. Isso só cria barreiras para fazer com que a informação não circule dentro da empresa. O empreendimento que tenta colocar muita burocracia antes de crescer perde o que é o maior diferencial de uma startup, que é a sua agilidade”, analisou. 

Sorte

Quando resolveu montar sua empresa, Gustavo estava na faculdade e não queria pedir dinheiro emprestado para o pai. “Liguei para ele e falei: ‘me apresenta um cara rico?’ Ele me apresentou e consegui um aporte de US$ 100 mil”, disse. A história motiva Gustavo a citar mais uma das frases que aprendeu em sua curta trajetória como empresário – ele tem 30 anos. “A sorte é igual a oportunidade mais capacidade. Muita gente fala que eu tive sorte. E realmente eu tive e contei com a ajuda do meu pai. Mas eu estava preparado”, pontua Gustavo, que no fim do ano vai fazer um curso na agência espacial norte-americana dedicado apenas a empresários.

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