Wilton Junior/AE
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Guarda-chuva nacional resiste e transforma-se até em artigo de moda para escapar dos chineses

Antiga sombrinha virou até artigo de moda pelas mãos dos empresários que sobreviveram aos produtos chineses

Renato Jakitas, Estadão PME,

27 de setembro de 2012 | 17h20

 Fulminada pelos chineses após a abertura das importações na década de 90, a indústria brasileira de guarda-chuvas hoje é assunto mais para livros de história do que para bate-papo de economistas. No entanto, antes de sacramentar a extinção do setor no País, algo precisa ficar claro: ainda existem fabricantes nacionais. E eles conseguem lucrar com as sombrinhas.

A quantidade de empresários em atividade, segundo comerciantes e fornecedores, mal dá para encher uma das mãos. Eles são, em geral, micro ou pequenos empreendedores que sobrevivem com a produção por encomenda de guarda-chuvas e guarda-sóis customizados, demanda que chega principalmente de empresas de segurança privada ou de marcas interessadas em preparar materiais promocionais de final de ano.

“Minha produção é quase todinha para hotéis, estacionamentos e pedidos de grandes empresas. Tenho uns trezentos clientes aqui e trabalho quase sozinho para anteder a demanda”, destaca José Carlos Gomes, dono da CRG, que também fabrica cadeiras de praia.

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O empresário produz 120 mil peças nos meses que antecedem a temporada de chuvas no Sul e Sudeste. “A gente chega a empregar, temporariamente, até 350 pessoas”, diz.

Além dos kits promocionais, há quem consiga remar na contramão. É o caso da carioca Pumar, com 73 anos de vida. Após praticamente fechar as portas em meados dos ano 90, a empresa reinventou-se e, agora, cresce sem concorrência.

A Pumar teve perto de mil funcionários nas décadas de 60 e 70. Após a invasão oriental, porém, restaram cinquenta profissionais e o negócio caminhava para o ostracismo. Rumava.

Um plano de sofisticação do produto, associando o guarda-chuva a um acessório de moda, foi colocado em prática. “Percebi que as marcas não tinham guarda-chuvas e guarda-sóis em suas coleções. Fui até empresas como Redley e Osklen e ofereci a Pumar para desenvolver e produzir linhas exclusivas com cara fashion”, conta Lucia Pumar, dona da empresa.

O faturamento chegou a R$ 9 milhões no ano passado e a empresa lançou a Maria Pumar, fazendo sua primeira incursão no varejo com uma loja no Rio de Janeiro. Mais do que guarda-chuvas, a marca trabalha com capas de chuva, bolsas impermeáveis e capas para tablets. Neste mês, o negócio chegou a São Paulo com um quiosque no shopping Villa Lobos. “Investiremos R$ 3 milhões em nosso plano de expansão. Queremos ter cinco unidades no Rio e dez em São Paulo.”

Cautela. Não há, porém, um movimento de retomada. É no que acredita André Nassif, professor de economia internacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “A história da Pumar é interessante porque a empresa fugiu de um modelo de produção intensiva para a inovação, mas o futuro desse setor vai depender dos rumos da economia brasileira e da China.”

 

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