Ernesto Rodrigues/AE
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Greves dos Correios e dos bancários complicam rotina dos empreendedores

Planejamento é a melhor estratégia para lidar com os imprevistos causados por essas paralisações

Ligia Aguilhar - Estadão PME,

29 de setembro de 2011 | 06h28

Além dos Correios, que completam 14 dias de greve nesta quarta-feira, os bancários, em campanha salarial, anunciaram na terça-feira, 27, que também decidiram paralisar suas atividades. Com as duas greves, as pequenas e microempresas precisam criar novas estratégias e colocar em prática planos alternativos para evitar o não cumprimento de prazos de entrega, pagamento e o cancelamento de compras.

Só em decorrência da greve dos Correios, os serviços de Sedex 10, Sedex Hoje e Disque Coleta foram suspensos, e cerca de 35% das correspondências estão com a entrega atrasada, mesmo com apenas 18% dos funcionários tendo aderido ao movimento. A lei do consumidor garante o direito de cancelamento da compra caso o consumidor não receba um pedido no prazo, mas um bom planejamento pode ajudar a evitar esse tipo de transtorno.

“Nós sempre recomendamos que o empreendedor tenha um plano B para diminuir os riscos de perder uma compra ou atrasar a entrega em momentos de crise”, diz o conselheiro da Associação Brasileira de Logística (Aslog), Edison Carillo. Segundo ele, a melhor alternativa nessas situações é a renegociação dos prazos de entrega. Já quando a venda é feita diretamente ao consumidor final, essa renegociação é mais complicada, por isso, a melhor opção é já ter contrato com outra transportadora que possa realizar o mesmo tipo de serviço.

Foi com planejamento que Felipe Mansano, diretor de operações do site especializado na venda de produtos profissionais para cabelo, o Belezanaweb, conseguiu reverter a greve a seu favor. “A gente já sabe que esse tipo de situação acontece pelo menos uma vez a cada dois anos, por isso já montamos uma estratégia para esses momentos”, diz.

Em agosto, a empresa entrou em contato com outras transportadoras e fechou contrato com uma empresa para ter um serviço alternativo ao dos Correios. Com a greve, Mansano direcionou os pedidos para a transportadora, que conseguiu entregar parte das encomendas em um prazo menor do que o estipulado. “Isso gerou um retorno positivo porque algumas clientes entraram no site antes mesmo de usar o produto adquirido para deixar comentários elogiando a agilidade”, conta.

O serviço da transportadora, no entanto, custa cerca de 15% a mais para a empresa - que não cobra o frete do consumidor -  e não chega a algumas cidades mais distantes e a áreas de risco. Por isso, o envio de parte das compras  continua sendo feito pelos Correios, por meio do serviço de Sedex, que tem prioridade no envio. “Como a adesão à greve é parcial e o Sedex tem prioridade, ainda conseguimos entregar cerca de 95% das encomendas por esse meio no prazo”, explica.

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Atrasos. Já Fábio Oliveira, gerente da loja virtual Magazine 25 de Março, não teve a mesma sorte. Duas semanas antes do anúncio da greve, uma transportadora que prestava serviços para a empresa rompeu o contrato. Com a paralisação e o aumento da demanda pelos  serviços das transportadoras, Oliveira ainda não conseguiu fechar contrato com outra empresa para atender seus pedidos. O jeito foi continuar enviando os produtos por meio dos Correios. Só que agora é ele quem leva os pedidos todos os dias até a agência central. “Essa greve está sendo mais suave porque teve baixa adesão, então, a maior parte das entregas está sendo realizada”, diz.

Para evitar danos e não gerar uma falsa expectativa ao consumidor, Oliveira aumentou os prazos de entrega calculados pelo seu site – uma entrega na capital de São Paulo, antes estimada para acontecer em dois dias, agora é prevista para o prazo de dois a cinco dias, por exemplo – e retirou a opção de envio de produtos pelo sistema PAC dos Correios.Até o fim da greve, a única opção disponível é o Sedex, que tem prioridade de entrega. “Se eu colocar um anúncio no site falando sobre problemas na entrega, posso perder vendas. O melhor é atualizar as informações e deixar o cliente ciente que o prazo de entrega é maior”, afirma.

Ainda assim, há quem não queira esperar mais tempo por uma encomenda. Oliveira estima que até agora 5% dos pedidos foram cancelados – a empresa, recebe em média 2 mil encomendas por mês. Com a experiência, ele recomenda que outros empresário não deixem de ter um sistema alternativo de entrega para momentos como esse. “As lojas virtuais dependem da logística e, sem uma outra opção, a empresa pode até quebrar”, diz.

Pagamentos. O Instituto de Defesa do Consumidor alerta também que as empresas são obrigadas a oferecer formas alternativas de pagamento para os clientes que não conseguirem pagar suas contas por causa da greve dos bancários . “O fornecimento de segunda via de boletos, o pagamento na loja e até mesmo o depósito direto em conta são algumas das opções que podem ser disponibilizadas”, diz o advogado do Instituto, Flávio Siqueira.

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