JB Neto/AE
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Geeks inspiram negócios e pequenos empresários lucram com games, séries e super-heróis

É cult ser nerd, por isso, pequenos empreendedores aprveitam o momento para ganhar espaço e dinheiro

Gisele Tamamar, Estadão PME,

27 de setembro de 2012 | 06h30

Eles gostam de super-heróis, histórias em quadrinhos, games, tecnologia, seriados e ficção científica. Não só gostam como especializaram-se nesses temas e, por causa disso, foram durante muito tempo ridicularizados. Atualmente, o cenário é outro. Os nerds ou geeks, como também são chamados, ganharam até um dia em sua homenagem (25 de maio) e movimentam um mercado lucrativo e que reserva espaço para pequenos negócios.

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“Até existia uma vergonha. Agora, é comum vermos pessoas com camisetas de personagens (de histórias em quadrinhos) e óculos de aros largos (um dos estereótipos dos nerds). Não é mais vergonha, é bastante valorizado”, avalia o professor de ciências da computação da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Edison Puig Maldonado, de 47 anos, considerado ele próprio um nerd nos anos 80.

O diferente virou cult e o interesse por objetos colecionáveis deste universo fez três amigos com formações diferentes unirem-se na criação da loja Limited Edition. O médico Stevin Zung, 38 anos, o publicitário Daniel Altavista, 37, e o graduado em educação física Rodolfo Balestero Pranaitis, 27, já colecionavam objetos de séries e desenhos quando transformaram o hobby em negócio. O trio investiu R$ 400 mil no local, especializado em produtos geek, fatura R$ 150 mil por mês, mas não consegue abrir mão do antigo hábito. “É até engraçado. Um pedaço dos pedidos acaba sendo pra gente”, conta Pranaitis.

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Fã de Cavaleiros do Zodíaco, Pranaitis comprou sua primeira peça com 21 anos. “Tem todo um lado nostálgico, que faz você lembrar da sua infância de maneira positiva”, resume.

O espaço idealizado pelos amigos deixa qualquer fã desse universo fascinado. É possível encontrar desde um chaveiro do personagem Predador (R$ 10) a um busto do Capitão América que custa R$ 2.990. Um dos itens mais caros já comercializados foi uma réplica do personagem Homem de Ferro em tamanho real. O preço? R$ 29,9 mil.

Para atrair clientes, a loja tem como diferenciais oferecer produtos exclusivos e edições limitadas. O atendimento especializado também conta pontos com uma clientela pra lá de exigente. “Muitas pessoas passam horas na loja, gostam de pegar a peça, analisar, verificar se ela não tem falha na pintura ou conferir se a embalagem não está amassada”, conta Pranaitis.

Variedade. O universo das histórias em quadrinhos e mangás é a especialidade da Comix. Com mais de 10 mil edições à disposição, a loja cresceu 20% nos oito primeiros meses do ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Filmes como ‘Os Vingadores’ e ‘Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge’ ajudaram nas vendas. “O lançamento de filmes e games traz um público novo para o mundo das HQs”, afirma o sócio Jorge Freitas Rodrigues, 39 anos.

A Comix começou com uma banca de jornal há 26 anos – a loja foi montada em 1993 – e lida com as particularidades de cada cliente. É por isso que todos os exemplares estão ensacados, assim, os proprietários evitam reclamações. Quer dizer, algumas reclamações. Consumidores mais detalhistas costumam levar um esquadro à loja para que possam medir a lateral dos gibis, chamada de lombada. Outros compram dois exemplares – um para leitura outro para guardar.

Ficção. O tema Star Trek (Jornada nas Estrelas) também faz parte do mundo geek. E a loja USS Brazil é especializada no tema desde 1995. “Gostava das séries de televisão desde criança. E eu tinha um sonho de abrir um loja um dia”, conta a sócia Elisa Pacce, 51 anos, que abriu o negócio com Ralfo Furtado, um amigo de trabalho. Mas engana-se quem pensa que o local recebe apenas fãs mais velhos do seriado. “Nosso cliente varia desde um garoto que nem os pais gostam do seriado até senhores. De juiz até office-boy”, diz Elisa.

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