Robson Fernandjes/Estadão
Robson Fernandjes/Estadão

Gastronomia artesanal motiva investimento de empreendedores

Negócios apostam nos alimentos feitos por pequenos produtores; desafio está na logística

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

19 de novembro de 2013 | 06h41

A ideia de conectar produtores locais e apreciadores da gastronomia artesanal motivou dois empresários a criarem o projeto Farofa.la. A plataforma online começou com a comercialização de experiências gastronômicas e inicia uma nova etapa hoje: a venda de caixas com alimentos feitos artesanalmente - a ideia é evoluir para o modelo de assinaturas no ano que vem.

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Entre os produtos selecionados pela empresa estão, por exemplo, queijo de cabra curado produzido em Joanópolis, interior de São Paulo, e um pesto de manjericão com pinhão orgânico produzido em Gonçalves, Minas Gerais. A caixa com dez itens custa R$ 215. Já as opções com quatro ou cinco produtos sai por R$ 120.

O negócio é a concretização da proposta criada por André Melman e Mikael Linder. O primeiro é engenheiro e trabalhou no mercado financeiro. Mas foi um período sabático e a visita a uma fazenda orgânica em Israel que despertaram, ainda mais, o interesse de Melman pelo desenvolvimento de um projeto capaz de conectar produtores independentes e consumidores.

Linder, por sua vez, é formado em direito, mas a paixão pelos alimentos vem de criança, na época o avô do empreendedor era dono de um armazém. Um amigo em comum apresentou os dois empresários, que tinham objetivos semelhantes.

Para essa nova fase do negócio, foram investidos R$ 100 mil e a dupla prefere testar o modelo antes de traçar uma expectativa de faturamento. Mas os empreendedores acreditam na sua viabilidade. "Do ponto de vista subjetivo, pela nossa paixão. E do objetivo, nossa trajetória nos permitiu termos experiência nesse mercado e entender as necessidades do produtor e do consumidor", diz Linder.

O site também continua a promover experiências gastronômicas. Até o fim do ano, os interessados poderão participar de oficinas em uma produtora de queijo de cabras e em uma padaria artesanal ou ainda visitar uma produtora de orgânicos, colher os alimentos e ajudar no preparo dos pratos no restaurante.

Quitutes. A vontade de agregar valor aos produtos regionais de Minas Gerais, e não apenas comprar e vender goiabada, motivou os sócios Aída Dias e Gustavo Filardi a criarem o site Oh!Minas, em fevereiro, com um investimento de R$ 80 mil. O modelo de negócio inclui o pagamento de uma mensalidade de R$ 69,90. Por essa quantia, o consumidor recebe uma caixa com cinco produtos: artesanato, bebida, doce, petisco e tempero.

Tudo acompanhado de uma revista temática sobre uma personalidade, uma cidade ou patrimônio histórico mineiro. "A ideia surgiu como forma de melhorar a imagem dos produtos mineiros. Fazemos uma curadoria e nos preocupamos em não apenas mandar os produtos, mas contar um pouco da história", conta Filardi, que espera alcançar 2 mil assinantes até o fim do ano que vem.

Análise. O diretor de empreendedorismo da Fiap, Marcelo Nakagawa, pontua que o modelo de assinatura é muito antigo, mas ganhou uma roupagem nova e uma quantidade muito grande de alternativas com a internet. "Tem espaço para muitos nichos de mercado. O grande desafio está na logística. É preciso ter um grande cuidado no transporte e, no caso dos alimentos, a preocupação também existe no controle das temperaturas máximas e mínimas", afirma.

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