Clayton Souza/Estadão
Clayton Souza/Estadão

Galeria Ouro Fino tenta recuperar agora o tempo perdido

O prédio localizado nos Jardins passou por um banho de loja e espera por jovens empresários e clientes

Renato Jakitas, Estadão PME,

27 de abril de 2013 | 10h10

 Cinquentona e pra lá de bem localizada, a Galeria Ouro Fino luta atualmente para recuperar seu prestígio na região dos Jardins, endereço chique da cidade de São Paulo. Após mergulhar em uma fase de decadência entre 2008 e 2011, período em que corredores desertos e letreiros apagados faziam parte do cenário, o centro comercial volta a atrair lojas descoladas, a se preocupar com reformas de infraestrutura e, agora, espera pelo retorno de sua clientela, tradicionalmente marcada por jovens em busca de moda alternativa de qualidade.

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Segundo a atual síndica da Galeria Ouro Fino, Zizi Serrano, a estratégia de revitalização passa por reduzir o preço do aluguel, que afugentou parte dos antigos condôminos, e manter o nível de investimento em melhorias do prédio, que abriu as portal ao público de São Paulo em 1961.

“A Galeria é um prédio de muita história e que ficou um pouco abandonado. Essa escada rolante que você está vendo aqui (no piso térreo, de frente para a porta de entrada do centro comercial) ficou dois anos quebrada, sem funcionar. Isso pega mal”, conta a estilista, que há 12 anos mantém na Ouro Fino a loja de moda Vida Bandida, de marca própria.

Zizi conta que, de 2011 para cá, gastou perto de R$ 300 mil em reformas no prédio. As melhorias contemplaram a modernização da fachada, a criação de uma identidade visual, nova iluminação, além de reparos no telhado e na calçada de frente para o prédio, localizado na Rua Augusta. “Agora estamos com mais lojas instaladas. Das cem que temos, apenas 15 estão vagas. Mas chega gente todos os dias”, explica Zizi, que também coloca na conta dos comerciantes parte da responsabilidade pela quantidade de unidades fechadas na Ouro Fino.

“O perfil do lojista aqui é o do jovem criador. No passado, ele muitas vezes começava o negócio sem dinheiro para pagar o aluguel. Aí o tempo passava e ele fechava as portas mesmo”, destaca a empresária. Ainda assim, Zizi conta que prefere o condômino criador à presença do comerciante puro e simples, que segundo ela descaracteriza o local. “Há quatro, cinco anos, os empresários que apenas compram e vendem produtos mudaram um pouco o perfil daqui. Agora, parece que os novos condôminos são mais alinhados com a proposta da galeria”, afirma.

Sangue novo

Gabriela Pegurier, da Reverb City, é uma dessas novas inquilinas da Galeria Ouro Fino. A marca de roupas, presentes e também de acessórios para casa nasceu na internet há nove anos, inspirada no universo do rock. Com público formado por jovens entre 18 e 25 anos, ocupava um espaço de 200 metros quadrados na própria Rua Augusta até a mudança para os atuais 25 metros quadrados no piso térreo da galeria. “É bem menor. Mas o nosso foco mudou. A ideia é atender aqui o varejo e alguns consumidores finais, em menor escala”, destaca Gabriela.

“Eu pagava R$ 10 mil lá em cima, na Augusta. Aqui são R$ 3 mil”, revela a empreendedora. “A localização é ótima pra gente. Estamos ao lado da Oscar Freire, onde o aluguel é impossível, e temos contato com o público que compra lá. Mesmo sendo dentro de uma galeria, acho que o custo benefício, aqui, é três vezes maior”, complementa Gabriela.

O preço do aluguel também foi determinante para que a estilista Manuela Lacombe Pires optasse por uma loja no segundo piso da galeria para a inauguração de sua primeira loja, a Mannu Lacombe. Ela mantinha um estúdio em um prédio corporativo nos Jardins, onde pagava R$ 2 mil por mês. Agora, com o estabelecimento de 30 metros quadrados e um escritório no segundo andar com mais ou menos o mesmo tamanho, vai desembolsar R$ 1,9 mil. “Aqui tem esse ar meio decadente ainda. A gente olha e vê umas lojas vazias, principalmente lá em cima (no terceiro e quarto pisos). Mas eu gosto da história do lugar e também dá de tudo quanto é tipo de gente”, analisa a empresária.

Tatuagem

O local onde a galeria está instalada realmente parece ser um importante atrativo para donos de pequenos negócios. “A gente decidiu abrir o estúdio na Ouro Fino porque ela é uma Galeria do Rock refinada”, avalia com firmeza a maquiadora Vivian de Carvalho Cavalcante. Ela acaba de inaugurar no local a Tatuaria Santa Pele. O empreendimento saiu do papel com a ajuda de mais dois sócios.

“O poder aquisitivo das pessoas que frequentam o local é mais alto do que no Centro de São Paulo, por exemplo. Isso nos dá um pouco mais de possibilidades de negócios”, explica a empreendedora.

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