Tiago Queiroz/AE
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Futuro dos desenvolvedores de apps está no mercado corporativo

Pequeno empreendedor pode encontrar caminho próspero no Brasil se souber oferecer soluções para outras empresas

Gisele Tamamar, Estadão PME,

18 de outubro de 2012 | 06h30

O mercado corporativo é visto como promissor para quem pretende ganhar dinheiro com o desenvolvimento de aplicativos. O futuro do setor foi discutido, durante o 3º Encontro PME, pelo fundador da Anjos do Brasil, Cassio Spina, e pelo dono de duas empresas especializadas em programas para dispositivos móveis, Wilson Baraban Filho.

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Para Spina, o segmento de soluções para as empresas pode ser o foco dos empreendedores iniciantes. “Não existem muitas aplicações integradas com sistemas corporativos. A vantagem é que em qualquer local, em qualquer momento, é possível ter acesso a informação, mas é preciso pensar em um acesso prático. Esse é um caminho interessante que poucas pessoas olham”, disse.

Prova disso é que a maior parcela do faturamento das empresas de Baraban Filho é resultado do desenvolvimento de aplicativos corporativos. Uma das grandes demandas, por exemplo, é a criação do dashboard, sistema para o profissional visualizar todos os processos de uma empresa por meio do aplicativo instalado no smartphone ou tablet.

Dessa maneira, o profissional que estiver em trânsito não precisa entrar na intranet da companhia, acessar o navegador e informar seu usuário e senha para conseguir as informações de que precisa naquele momento. “A grande sacada está aí. A pessoa toca no aplicativo e já abre o dashboard. Ele dá muitos recursos, tanto visual, quanto técnico”, afirmou Baraban durante o Encontro PME.

A recomendação para quem pretende ter clientes corporativos é investigar as necessidades que precisam ser melhoradas e entrar em contato com o mercado em potencial. “Mais importante que a ideia é a oportunidade. Quer fazer alguma coisa? Não comece pela ideia, comece pelo problema, onde você precisa resolver alguma coisa ou o que pode ser melhorado? Esse é o caminho”, destacou Spina.

Na avaliação do criador da Anjos do Brasil, o sucesso depende de dois fatores. O primeiro é a capacidade de execução do empreendedor. “Mas o segundo não depende de nós. É importante ter o timing certo, o que é muito difícil.”

Escala. Aqueles com planos de empreender com aplicativos para o consumidor final precisarão de escala. Para ganhar dinheiro com produtos que custam perto de US$ 0,99, por exemplo, será preciso que muitas pessoas demonstrem interesse. E conseguir isso não é fácil. Atingir o top 200 na App Store do Brasil exige, pelo menos, 2 mil downloads por dia – e há períodos que nem 3 mil downloads são suficientes, segundo analisou Baraban.

Nos Estados Unidos, a média gira em torno de 10 mil a 15 mil downloads diários. Mas e os aplicativos gratuitos, como torná-los efetivamente lucrativos?

A solução mais nítida para os especialistas é a publicidade. Mas o desenvolvedor pode também colocá-lo à disposição sem custo para ganhar popularidade e, uma vez consolidado, agregar ferramentas que precisem ser compradas. “Buscar o engajamento do usuário é interessante e uma boa alternativa para a monetização”, afirmou Spina.

Para quem estiver na dúvida sobre o lançamento da solução gratuita ou paga, Spina aconselha o empreendedor a avaliar qual tipo de valor está entregando ao usuário. Se o aplicativo for útil, o consumidor estará disposto a pagar. “A melhor forma de aprender é ir para o mercado, testar e interagir. Isso dá para ser feito diariamente”, afirmou.

O empreendedor ainda precisa ter consciência de que não basta entender de programação para fazer aplicativos. É necessário desenvolver aspectos essenciais, como posicionar seus produtos com destaque na App Store ou Google Play, preocupar-se com comunicação, com o usuário e com a interface – uma mudança de botão pode gerar uma diferença de 50% no resultado final de acessos. “É preciso pensar de forma abrangente e buscar outras especializações”, disse o fundador da Anjos do Brasil.

Início. Os aplicativos entraram na vida de Wilson Baraban em 2009, quando o iPhone começou a ganhar espaço no mercado mundial.

O empresário atuava como gerente de TI de uma universidade, mas resolveu optar pelo mercado de aplicativos. “Comecei a fazer produtos para uso pessoal, aquilo começou a dar certo e vi que era um mercado promissor”, lembrou.

Um dos aplicativos que fizeram a empresa de Baraban ganhar destaque foi o SP+9, a primeira ferramenta lançada na App Store para o usuário acrescentar automaticamente o dígito 9 nos números de celulares em São Paulo. Essa mudança, em vigor desde o dia 29 de julho, atende resolução da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para aumentar a disponibilidade de números móveis e fazer frente à crescente demanda de novos usuários na Região Metropolitana de São Paulo.

“O SP+9 surgiu de uma necessidade. Procuramos na App Store, vimos que ninguém tinha feito e resolvemos investir. Fomos os primeiros, tanto que a Anatel veio falar com a gente por termos sido os pioneiros”, relatou.

Iniciativa. Os especialistas lembraram durante o Encontro PME que ideias não são patenteáveis. Da mesma forma que uma pessoa teve uma sacada no Brasil, outras centenas podem ter o mesmo insight em vários lugares do mundo.

“Invenções são patenteáveis. Por isso, o mais importante é executar essa ideia”, incentivou Spina. Baraban lembrou ainda que dentro da App Store é possível registrar um nome para o aplicativo, desde que não existam similares.

Mas o empresário adverte: no momento em que o aplicativo entra no ar, há o risco de cópia. “Existem empresas especializadas em copiar. A ideia é a mesma, o nome é (quase) o mesmo e a concorrência muda apenas uma letra”, contou Baraban. À empresa responsável pela ferramenta original, resta pedir para que os usuários reclamem sobre a imitação para a Apple.

Banda larga. Os dois participantes também discutiram sobre o problema da banda larga no Brasil como um obstáculo a ser superado. “A falta de conectividade é uma limitação para o crescimento do mercado”, analisou Spina. Para ele, entretanto, a solução é uma questão de tempo. “É um desafio muito grande e eu acho que será superado. Uma melhor qualidade de serviço vai possibilitar aplicativos mais sofisticados, que exigem mais tráfego de dados.”

Baraban, porém, chamou a atenção para o aumento constante das vendas de aparelhos com acesso à internet, apesar da infraestrutura não acompanhar esse comércio com a mesma velocidade. “Há regiões em São Paulo onde você consegue falar no telefone, mas não usar a internet.”

Por isso, o conselho para quem tem planos de desenvolver um aplicativo que inclua a transmissão de dados é limitar essa movimentação ao máximo. “O Instagram só pegou porque ele não transmite imagem em alta definição, senão ninguém ia conseguir enviar a foto. O Instagram é rápido e feito de maneira inteligente”, disse Baraban.

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