Marcos de Paula/AE
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Fundos de investimento miram as franquias

Cresce o interesse de investidores pelas redes com potencial de crescimento e boa rentabilidade

Carolina Dall'Olio, Estadão PME,

22 de dezembro de 2011 | 12h54

 Elas são capazes de crescer rápido com baixo investimento. Atuam com foco no mercado interno e estão, em sua maioria, no varejo – setor que é hoje o principal motor da economia brasileira. Têm modelos de negócio testados e replicáveis em larga escala. E como muitas são de origem familiar, apresentam espaço para melhorias na gestão. Por tudo isso, as redes de franquias chamam cada vez mais a atenção de fundos de private equity.

Dessa maneira, a presença crescente dos investidores já começa a modificar o setor. Além de acelerar a expansão das empresas e profissionalizar sua administração, os fundos ajudam a promover a consolidação em alguns mercados. No ramo de escolas de idiomas, por exemplo, a Wizard contou com capital da Kinea para comprar boa parte da concorrência.

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Criado em 2007, o Franchising Ventures foi o primeiro fundo brasileiro que decidiu apostar apenas em redes de franquias. “De lá para cá, a concorrência entre os investidores por boas oportunidades no franchising só se acirrou”, testemunha Sérgio Benclowicz, diretor do fundo. E segundo ele, o movimento deve se intensificar. “Em tempos de crise, as redes ficam ainda mais atraentes porque oferecem um risco menor e pulverizado”, afirma.

O Endurance Capital Partners, formado em 2008, já conta com duas redes em seu portfólio: Espaço Árabe e Valmari. E não quer parar por aí. “Nosso foco de atuação é transformar, em um curto espaço de tempo, empresas médias em grandes companhias”, conta Guilherme Souza, um dos sócios do Endurance. “No caso das franquias, fica mais fácil alcançar este objetivo. Elas só precisam de ajuda na gestão para mudar de patamar.”

Administrada desde 2009 por gestores profissionais, a Mundo Verde é um exemplo de como uma rede pode crescer com a chegada de investidores. Em dois anos de parceria, o número de lojas passou de 126 para 190 e o faturamento subiu de R$ 149 milhões para R$ 210 milhões.

A família fundadora vendeu 100% do negócio para o Axxon Group e para o empresário Sérgio Bocayuva, hoje presidente da rede. A nova gestão imprimiu mudanças. Montou um programa de treinamento para empregados e franqueados, passou a investir em publicidade, intensificou o trabalho nas mídias sociais e lançou mais produtos. Com a casa em ordem, Bocayuva já fala em abrir o capital da empresa em dois ou três anos.

“Além de apresentar um projeto de crescimento para a rede, o fundo também deve especificar um plano de saída, para dar mais credibilidade ao investimento”, enfatiza Ricardo Camargo, diretor da Associação Brasileira de Franchising (ABF). “Isso deve ser discutido antes do aporte inicial de capital.”

Parceria e transparência

Por adotar estratégias de crescimento agressivas e instituir uma gestão profissional e impessoal, os fundos podem criar conflitos nas redes. “O principal risco para as franquias é o investidor querer mudar a essência da empresa e desvirtuar o negócio”, opina Ricardo Camargo, diretor da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

Portanto, o franqueador que pretende vender parte do capital da empresa deve discutir exaustivamente o plano de crescimento que o fundo pretende adotar – e só aceitar a parceria se concordar com ele. Cabe ao investidor, por sua vez, ter um discurso transparente com os donos e franqueados.

“Foi preciso deixar as regras muito claras para que os franqueados pudessem enxergar os benefícios das mudanças que pretendíamos implementar”, destaca Fábio Salik, executivo indicado pelo Endurance para administrar a Valmari, negócio que atua com cosméticos.

Sérgio Bocayuva, novo presidente da Mundo Verde, tomou o cuidado de visitar quase todas as lojas franqueadas quando assumiu o posto. “As redes de franquias são marcadas por relações pessoais. Muitas vezes, os franqueados são verdadeiros amigos dos donos da rede”, afirma. “Por isso, os investidores devem considerar esta característica em vez de ignorá-la.”

Cuidado com a escolha

A empresa que pretende contar com aporte de capital em seu negócio deve primeiro analisar as características de cada fundo de investimento,assim como o histórico da companhia. O empresário também precisa identificar qual deles oferecerá um plano de expansão que seja compatível com os anseios da rede.

Axxon Group

O que procura: Negócios de pequeno e médio portes, principalmente familiares. Busca empresa com potencial de criação de valor e que apresente oportunidades de expansão.

Tempo de saída: Em média cinco anos, podendo se estender para até dez anos.

Endurance

O que procura: Empresas pequenas ou médias que precisem de aporte de capital de até R$ 50 milhões e que de preferência atuem em nichos de mercado com alto crescimento.

Tempo de saída: Em média, o fundo informa que deixa o negócio em oito anos.

F. Ventures

O que procura: Negócios franqueáveis ou redes que possam ter ganho de rentabilidade ao dividir custos operacionais e administrativos com outras empresas do fundo.

Tempo de saída: O IPO é previsto para três anos após o início da participação.

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