Joy Yamamoto
Joy Yamamoto

'Fui para a frente, mesmo com obstáculos'

Exemplo de empreendedorismo corporativo, paulistana comanda empresa dinamarquesa no Brasil

Gabriel Navajas, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2017 | 08h54

O dia de Rachel Maia começa quando deixa a filha Sarah Maria na escola, em São Paulo. A partir dali, a CEO (presidente) da joalheria dinamarquesa Pandora no Brasil dá sequência à sua agenda de reuniões e decisões. Deixou o sonho de ser aeromoça para trás e tornou-se uma executiva reconhecida no mercado.

“Meu princípio básico é acordar e, depois de deixá-la, focar naquilo para que sou paga. Eu quero ser a melhor no que estou fazendo. Se hoje eu sou CEO Brasil (da Pandora), quero fazer esse trabalho muito bem feito. E eu quero muito mais: quero América Latina, Américas, ser presidente global...”, diz a executiva de 46 anos, em conversa com o Estado.

Ser negra e mulher, em um mundo cheio de diferenças, não desvia o foco de Rachel Maia. Ela afirma saber bem o que fazer em um meio dominado por homens.

“Normalmente, sou uma das únicas mulheres. Eu estou lá para trazer conteúdo sob o meu ponto de vista. Adoro ser precursora. Eu quero, sim, olhar o meu legado e falar ‘contribui para a abertura desse mercado’. Mas nem todo dia você sai de casa preparada para olhares que questionam ‘por que você está aqui?’ Teoricamente, seria o ‘clube do bolinha’, mas agora eu estou trazendo algumas luluzinhas. Acho que o mercado precisa dessa questão de trazer o diferente, o novo”, destaca.

A executiva destaca que o aprendizado não está somente nas funções corporativas. “Tenho de fazer o meu homework (lição de casa), e ele não consiste só em me reunir com a minha diretoria, fazer vários cursos”, destaca. “Uma parte do sucessoeu atribuo a vocês, que são as pessoas com qum eu converso, que bato papo. Vai desde a copeira aqui do escritório, do estagiário, até o meu presidente. Relacionar-me com pessoas acho que é um dos meus pontos fortes. Ajuda também a estar onde eu estou.”

Trajetória. Quando começou a faculdade de ciências contábeis, Rachel sabia o que queria. “O call da minha chamada é realmente acreditar que conhecimento traz poder”, afirma. Após conseguir o diploma, iniciou a carreira na 7-Eleven, como controller. Ficou sete anos na empresa, antes de se transferir para a farmacêutica Novartis, onde trabalhou durante quatro anos.

Entrou para o mundo das joias logo em seguida, como CFO (diretora financeira) da Tiffany & Co. Foi responsável pela chegada da empresa ao Brasil e ficou sete anos e meio no cargo.

A ida para a Pandora Brasil ocorreu depois de uma tentativa frustrada que o então presidente da empresa fez em atraí-la. Como pensava em adotar uma criança, Rachel Maia disse não à proposta. Pouco tempo depois, decidiu deixar o emprego e foi estudar inglês em Miami. Meses depois, foi procurada novamente por um representante da joalheria dinamarquesa. Desta vez, aceitou o convite.

Seis meses mais tarde, enquanto já se preparava para entrar na fila de adoção de uma criança, Rachel Maia recebeu a notícia de que estava grávida. À época, ainda como diretora financeira, foi ao seu superior na Pandora e avisou que não seria justo continuar, porque poderia prejudicar a empresa. Acabou demovida da ideia. De quebra, tornou-se CEO. Hoje, a executiva está há sete anos na empresa.

Ao longo da carreira, a executiva afirma que sempre soube olhar os obstáculos e superá-los.

“Eu nunca olhei um desafio maior do que aquilo que eu aspirasse. Sempre me preparei e tive desafios e obstáculos. Alguns deles me fizeram questionar, mas eu acho que tive pouquíssimos momentos de pensar e dar um passo atrás, pouquíssimos. Fui para a frente, mesmo com o obstáculo. Ele não pode ser maior do que o meu desejo”, ressalta a CEO da Pandora Brasil. “Eu acho que não sou muito boa em conselho, sou boa em execução, uma boa maestra. Acho que consigo olhar, colocar todo mundo e fazer aquilo ficar harmônico. Essa que é a minha grande habilidade.” 

Exemplo. A executiva, no entanto, sabe que é vista como exemplo e inspiração para muita gente. E diz lidar bem com esse papel. 

“Outro dia, fiz uma reportagem falando sobre poder. Comentaram que eu me tratava bem, pele, cabelo. Eu falei ‘sim’. Sabe por quê? Porque as pessoas precisam de heróis, de razões para falar ‘eu quero, eu posso, eu tenho um exemplo a seguir’. Então, sim, eu tenho de me cuidar, porque tem muita gente olhando para mim e dizendo ‘se ela pode, eu posso’. Quero ser esse exemplo”, afirma Rachel Maia.

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