Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Franquias pausam expansão para arrumar a casa

Empresas optam por adiar crescimento para estruturar o negócio e melhorar o suporte dado para os franqueados

Gisele Tamamar, Estadão PME,

04 de fevereiro de 2015 | 07h16

A franquia começa a fazer sucesso, desperta o interesse de investidores e inicia, dessa maneira, um processo de expansão. Mas o crescimento muito rápido, a necessidade de estudar novos pontos ou até mesmo uma economia cambaleante forçam uma pausa nesse processo para arrumar a casa. Essa desaceleração para refazer o planejamento diante de alguma dificuldade ou novo cenário é, inclusive, uma recomendação feita pela Associação Brasileira de Franchising (ABF).

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O diretor-executivo da ABF, Ricardo Camargo, destaca que a dica é sempre crescer de acordo com a estrutura interna da franquia, condição importante para dar suporte à rede de franqueados. “A pausa é recomendada para a franquia avaliar suas condições. É melhor crescer de forma consciente do que ficar dando cabeçada”, destaca.

Com uma economia mais fraca, Camargo também aponta ser preciso redimensionar o plano de investimento. Outra situação que costuma forçar uma pausa na expansão é quando a empresa busca a interiorização. “Em geral, as redes dão um tempo de três a seis meses para estudar novos mercados e voltar a crescer com um novo direcionamento”, afirma o especialista no segmento.

O ano de 2014, por exemplo, serviu para a Curves, rede de academias só para mulheres, arrumar a casa. Agora, em 2015, é o momento de voltar a crescer, segundo informações do master franqueado da rede no Brasil, Glauco Vega. A marca norte-americana desembarcou no Brasil em 2003 e chegou a ter 228 unidades abertas em 2009.

“A rede cresceu de forma muito rápida e acabou sendo um processo um pouco desorganizado”, reconhece Vega, que assumiu a operação do negócio no começo do ano passado com a missão de criar processos que auxiliassem a equipe a melhorar o atendimento da rede.

Nos últimos quatro anos, a Curves trabalhou com a revenda de unidades e abriu apenas duas academias no ano passado. Hoje são 120 estabelecimentos com a previsão de inaugurar no mínimo 12 pontos este ano. “É até um plano agressivo dentro do histórico dos últimos anos”, pontua Vega.

Preocupação. Na rede especializada em cursos e treinamentos Cebrac, o diretor de mercado da marca, Fabio Pozza, prefere não falar que o empreendimento freou a expansão, mas que teve uma preocupação maior em qualificar esse crescimento. Tanto que em 2014 a empresa colocou 20 unidades novas em funcionamento e fechou o ano com 95 escolas.

“A rede queria ter uma estrutura mais eficaz no sentido de selecionar um bom candidato e dar a ele uma boa perspectiva para ingressar com capacidade de gerenciar o negócio. Melhoramos o suporte e mudamos a forma como a expansão é feita”, analisa Pozza.

As mudanças aconteceram no decorrer de 2014 e envolveram um melhor estudo do perfil do franqueado, avaliação das praças para implantação de novas unidades e na própria reestruturação da empresa franqueadora para, dessa maneira, melhorar o suporte para os franqueados do Cebrac.

A rede China House, de culinária chinesa, sempre teve um perfil de crescer devagar e no ano passado decidiu expandir com um pé ainda mais pesado no freio. “Demos uma parada na abertura de lojas fora de São Paulo para priorizar o crescimento em espiral”, explica o fundador da marca, Jorge Torres, deixando claro que investiu nas regiões próximas da capital. Torres prevê a abertura de apenas uma unidade em 2015.

“Vamos avaliando caso a caso”, diz o empreendedor. “A rede teve e tem lojas fora do Estado. Vamos ter mais, mas não nesse momento”, completa Torres. A estratégia seguida pelo empresário prevê a abertura de restaurantes fora de São Paulo, mas isso deve ocorrer apenas em 2017.

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