Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Franquias faturam quase R$ 5 bilhões com sapatos

Segmento cresceu 15,7% em 2012, de acordo com dados da entidade que representa empresas

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

29 de agosto de 2013 | 06h59

Sirley Gomes tinha 8 anos quando ganhou sua primeira Melissa. Era moda, na década de 1980, usar o modelo Aranha com meias. Hoje, com 38 anos, o calçado não deixou de fazer parte da sua vida e ela tornou-se responsável pela gestão de três unidades do Clube Melissa, uma das 93 redes de calçados que trabalham com franquias no Brasil. Apenas no ano passado, o segmento movimentou R$ 4,895 bilhões, 15,7% a mais que os R$ 4,231 bilhões registrados no ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

::: Siga o Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

:: Google + :: 

E o número de lojas também cresceu: de 3.036 para 3.416 unidades no mesmo período, alta de 12,5%. Sirley seguiu as estatísticas. Ela começou a primeira loja com três sócios, em 2009, no Shopping Center Norte. Depois abriu outras unidades nos shoppings Anália Franco e Bourbon, e ainda tem previsão de inaugurar a quarta loja no Shopping Aricanduva em outubro.

“A Melissa é uma marca que está na memoria. Se você ficar nas lojas, vai perceber que a primeira coisa que as meninas fazem é cheirar a Melissa. E as mulheres mais velhas também. A Melissa é o único calçado que antes de ir para o pé, vai para o nariz”, brinca Sirley, que registra a venda de 10 mil pares por mês nas três unidades.

Atualmente, a rede tem 91 lojas e pretende fechar o ano com até 110 unidades. De acordo com Ronaldo Viana, um dos diretores da franqueadora que administra a expansão do Clube Melissa, o investimento inicial para abrir uma loja é de R$ 350 mil, com faturamento médio de R$ 150 mil – o valor oscila conforme o ponto comercial. “A primeira motivação do investidor é na diferenciação da marca”, destaca Viana.

A franqueada da Dumond, Sabrina Lazzarini, tem três lojas em shoppings de Brasília – o faturamento varia entre R$ 150 mil e R$ 300 mil, de acordo com a unidade. “Sapato é uma coisa de desejo e mexe com a mente feminina de uma forma diferente da roupa, que inclui a questão do emagrecer. A gente brinca que não é só comprar um sapato, é satisfazer um desejo, uma terapia. Fazemos ‘sapatoterapia’”, conta.

Para abrir a terceira unidade da marca no ano passado, a empreendedora investiu R$ 800 mil incluindo os custos do ponto. A empresária chama a atenção para a importância do capital de giro nesse tipo de negócio. “Essa é a palavra mágica do comércio. Não pense que você vai fazer o capital de giro quando a loja estiver rodando. Se você começa a pegar empréstimo e fazer antecipações, você acaba perdendo o controle”, aconselha Sabrina.

Potencial. O diretor-executivo da ABF, Ricardo Camargo, pontua que o segmento acompanha o crescimento do franchising em geral, mas tem algumas características próprias, como a grande participação das indústrias. “É uma forma dela garantir mais um canal para reforçar a marca e ter a valorização do seu produto. A tendência é que mais empresas optem por esse modelo de expansão”, afirma.

Segundo Camargo, grande parte dos franqueados do segmento é mulher – isso ocorre, na avaliação do especialista, muito por conta do domínio dos calçados femininos em relação aos masculinos. Entre as principais redes estão Arezzo, Carmen Steffens e Havaianas – no nicho das multimarcas, o destaque fica para a marca World Tennis.

“Esse segmento, principalmente no feminino, tem o design reconhecido. E as marcas também trabalham a exportação”, analisa Camargo. A Arezzo, por exemplo, tem 353 franquias, sendo 324 da marca Arezzo e 29 da Schutz. Do total, oito unidades Arezzo estão localizadas no exterior.

No geral, o Estado de São Paulo concentra o maior número de lojas: 35,7% do total – em seguida vem o Rio de Janeiro (17,2%). A partir da terceira colocação o mercado é bem fragmentado: Minas Gerais comporta 7% e a Bahia 4,4%.

:: Confira o investimento inicial de cinco franquias ::

Dumond: O investimento inicial gira em torno de R$ 450 mil. A taxa de franquia custa R$ 45 mil. Já o desembolso para o mix inicial de produtos varia entre R$ 110 mil e R$ 150 mil.

Arezzo: A taxa de franquia de uma loja da rede custa a partir de R$ 50 mil. Já a taxa de instalação oscila entre R$ 240 mil e R$ 480 mil. O faturamento médio mensal estimado para a unidade é de R$ 170 mil.

Samello: A marca de sapatos exige investimento inicial entre R$ 325 mil e R$ 560 mil. A rentabilidade média é de 12% sobre o faturamento bruto da loja.

Artwalk: A rede de tênis cobra uma taxa de franquia de R$ 50 mil. Já o valor do estoque e capital de giro somam R$ 200 mil. Os custos com instalação e obra giram em torno de R$ 200 mil.

Magic Feet: A marca de calçados infantis cobra R$ 50 mil de taxa de franquia. O negócio exige R$ 250 mil para o estoque inicial e capital de giro e R$ 220 mil para a instalação.

:: Leia também ::

Nova marca se prepara para inaugurar 54 unidades

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.