Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

De jogador a espetinho: as armas dos donos de lojas do Corinthians para manter as portas abertas

Divisão de custos de promoções com parceiros locais, venda de espetinhos e cerveja: alguns donos de lojas de produtos oficiais do Corinthians apelam para criatividade para tentar melhorar desempenho

Alessandro Lucchetti - Especial para o Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2017 | 12h37

A rede de lojas franqueadas Poderoso Timão, que comercializa artigos licenciados e homologados pelo Corinthians, chegou a ser formada por 110 unidades. Hoje restam pouco mais de 50 abertas. A duras penas, os empreendedores que mantêm seus estabelecimentos funcionando lançam estratégias criativas e torcem tanto pela melhora do cenário econômico brasileiro como também para que a própria equipe comandada pelo técnico Fábio Carille faça boa campanha em campo para que superem o mau momento financeiro.

Marcelo Souto Quintero, dono da loja do bairro do Ipiranga, tem recorrido a eventos com jogadores e ex-jogadores para impulsionar as vendas. No último sábado, o ex-volante Vampeta, um dos grandes destaques da equipe bicampeã brasileira em 98/99 e do Mundial de 2000, atraiu cerca de 400 torcedores à loja. O cachê de um ex-jogador é de R$ 3 mil. Atletas do atual elenco cobram R$ 4 mil. Há outros gastos, com segurança e aluguel de grades para organizar a fila. O evento com Vampeta saiu por R$ 4 mil no total. Para arcar com todos esses custos, Quintero busca apoio em empresas parceiras do bairro, como lojas de moda e pizzarias, cujas marcas ficam estampadas em backdrops (os paineis postados atrás dos jogadores). As fotos, publicadas em redes sociais, alavancam a exposição das logomarcas parceiras.

"Já trouxemos o Cássio, Danilo, Chicão e Romero. Nossa loja firmou uma reputação de realizar eventos bem organizados. Os atletas comparecem sem temor de confusão", orgulha-se Quintero.

Outros empreendedores bolam planos ainda mais heterodoxos. Um lojista da zona leste quer vender espetinhos e cerveja na frente do estabelecimento, colocando os produtos, como camisas e bonés, na retaguarda. O comerciante, que prefere não se identificar, já recebeu uma negativa da SPR, a empresa franqueadora, que alega que seus planos descaracterizam a unidade da rede Poderoso Timão. Insatisfeito com a rentabilidade da loja, o empreendedor pensa até em alterar a fachada, e se mantém firme em seu projeto de atrair consumidores pelo olfato.

"Esperamos que a economia brasileira se recupere gradativamente e também torcemos para que o Corinthians tenha um bom ano em campo, embora seja um clube que sempre venda. Estimo que de 60 a 70% do nosso volume de vendas se deva a presentes. O foco da nossa loja é atender sempre bem clientes corintianos e também os torcedores de outros clubes, que entram na loja à procura de presentes para parentes, namorados e amigos", diz Quintero.

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