Tiago Silva/Estadão
Tiago Silva/Estadão

Food trucks devem invadir as ruas de São Paulo; confira oportunidades no segmento para lucrar

Até o fim do ano, apenas as barraquinhas de cachorro-quente eram permitidas; mas isso vai mudar rapidamente

Marcelo Osakabe, especial para o Estado,

29 de janeiro de 2014 | 06h10

O empresário Rolando Vanucci se prepara para a expansão de um negócio que até dezembro passado não era exatamente legalizado. Dono de uma van que serve massas há seis anos em uma avenida do bairro de Perdizes, o proprietário do Rolando Massinhas vai colocar para circular outros dois veículos até o final de fevereiro, o Rolando Doguinho e o Rolando Churros.

::: Siga o Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

:: Google + ::

Isso será possível porque a cidade de São Paulo aprovou a lei que libera a venda de comida nas ruas. Até então, apenas a comercialização de cachorro-quente era permitida. “Quando o (vereador) Andrea Matarazzo foi defender o projeto, ele disse que o carrinho do Rolando seria a referência para as normas de higiene e condicionamento”, conta orgulhoso o empresário.

A aprovação da lei ganhou o apoio de empreendedores e chefs conhecidos, como Jorge Gonzalez (ex-D.O.M.) e de casas tradicionais como o La Casserole. Eles querem importar dos Estados Unidos a febre dos food trucks, negócio que explodiu depois da crise de 2008 e que este ano deve faturar cerca de R$ 1,6 bilhão, segundo a Associação Americana de Restaurantes. Hoje, eles são símbolo de criatividade culinária e são temas, inclusive, de programas de televisão.

“Até alguns anos atrás você só via aqueles carrinhos de batata frita, de hambúrguer, o famoso junk food americano”, conta o gaúcho Adriano Redante, que há um ano comanda o Brazilian BQ, uma van que serve churrasco brasileiro na Filadélfia. O churrasco de Adriano faz sucesso e ele inclusive já foi filmado pela equipe do Eat Street, programa que é exibido aqui no País pelo canal Fox Life. No Brasil, um dos primeiros que trouxeram a novidade foi Alan Liao, de 26 anos.

Ele passou dois anos trabalhando como DJ em Nova Iorque e retornou ao Brasil em 2012. “Eu era um cliente assíduo. Tinha todo tipo de comida e era frequentado tanto por jovens saindo da balada quanto por trabalhadores sem tempo para almoçar durante o dia”, conta. “Quando voltei, além da falta que me fazia, percebi que podia ser tendência.”

Alan investiu R$ 300 mil para adaptar o que se tornou a Navan, que serve temaki sob rodas. Hoje o empresário administra a van, que passa a temporada de férias na Riviera de San Lourenço, e dois quiosques no litoral paulista. Segundo ele, apenas o veículo registra faturamento mensal de R$ 80 mil, chegando a R$ 100 mil nos meses de muito calor.

Oportunidades. Mas a ‘alta gastronomia’ não deve ser o único apelo dos food trucks no País. Dono da franquia de doces Docella, Gustavo Ely Chehara iniciou, no fim do ano passado, uma nova franquia voltada para a venda de salgados em vans. “Percebemos que o principal problema para as novas lojas da Docella eram os alugueis, cada vez mais caros. Decidi investir nas vans porque, sem o aluguel, a lucratividade do negócio sobe de 60 a 70%”, conta Gustavo.

Há três meses no mercado, a Salgado Mania já tem seis unidades, duas delas franqueadas. Um total de 180 pessoas já demonstrou interesse no negócio. Gustavo oferece três modalidades de franquia: o quiosque de shopping, o contêiner – espécie de trailer colocado e retirado das ruas por um caminhão – e o food truck propriamente dito.

Chances. O burburinho com o projeto de lei já fez alguns empreendedores se adiantarem. A FAG Brasil, adaptadoras de veículos da empresária Gislene Viana, dobrou o número de funcionários desde a metade de 2013 para atender a essa nova demanda. “Hoje tenho 40 orçamentos parados, e aumentamos nosso prazo de entrega”, conta Gisele.

“Acredito que deve haver um grande crescimento nesse segmento porque o investimento é pouco se comparamos com um restaurante ou uma franquia mais tradicional”, afirma o consultor Adri Vincente Júnior, da Food Service Company. Adri calcula que o investimento inicial seja de no mínimo R$ 150 mil, e o retorno venha em pelo menos dois anos.

“A gastronomia diferenciada não é o prato estranho, pode ser aquela receita de sanduíche de pernil da avó”, afirma o especialista no segmento.

:: Fique atento ::

Regulamentação  

Embora aprovada, a lei precisa ser regulamentada. Questões importantes, como quais comidas serão permitidas, regras de higiene e condicionamento, ainda serão definidas. A Prefeitura também precisa estabelecer os locais onde as vans poderão estacionar na cidade.

Preparo

Muitos carros precisam preparar parte de seu cardápio antes de começar a servir. A Prefeitura também precisa dizer onde isso poderá ser feito. Nos Estados Unidos, por exemplo, algumas cidades oferecem uma cozinha comunitária.

Jornada

Cuidar de um carro de comida é trabalhoso. As jornadas são longas, de até 14 horas, e muita gente desiste. “Dei um curso de 30 dias com nove pessoas. No final sobraram três”, afirma Rolando Vanucci, do Rolando Massinha.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.