Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

FitDance explode em academias com coreografias para músicas

Método criado por irmãos baianos, que está em mais de 15 mil academias de cinco países e soma 5 bilhões de visualizações em vídeos na internet, já atraiu a atenção de celebridades como a cantora Katy Perry

Marina Dayrell, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2019 | 17h10

À primeira vista, entender a FitDance parece simples: um grupo de pessoas, com roupas coloridas, dançando músicas que estão nas paradas mundiais de sucesso em vídeos na internet. Tem quem assista em casa e pratique os passinhos na frente do espelho e também os que aprendem as “sarradas” com um instrutor de academia. Grosso modo, a FitDance ensina coreografias - mas nas mãos dos irmãos baianos Bruno Duarte, de 37 anos, e Fabio, 39, dançar virou negócio.

Apesar do nome “fit”, o propósito não é emagrecer. “A metodologia é feita para você se encaixar na dança, daí o ‘fit’, e gerar felicidade. O resto é colateral”, diz Fabio. “Lá atrás, recebemos muitos insights de que a dança tinha um poder e um valor gigantescos, mas quem a representava vivia o problema de não ser valorizado, ela não era considerada uma profissão”, completa Bruno.

O negócio começou em 2014 para capacitar instrutores de dança e, hoje, são 5.000 treinamentos presenciais por ano pelo mundo. São cinco anos de estrada e os números são todos superlativos: o programa já formou 8.000 instrutores e está presente em 15 mil academias de cinco países - além do Brasil, Argentina, México, Chile e Paraguai, com abertura em Portugal prevista para outubro. A meta é chegar a 10 países no próximo ano. 

No ano passado tinham 40 funcionários, neste ano já são 150. Na internet, apenas nos últimos 90 dias, a FitDance alcançou mais de 60 milhões de visitantes únicos com seus vídeos, que já contabilizam quase 5 bilhões de visualizações desde a criação da empresa - 30% da audiência é de fora do país. Tanto sucesso atraiu a atenção de celebridades como a cantora americana Katy Perry, que procurou a FitDance em 2017 para produzir o clipe da música “Swish Swish”, com a participação da dançarina brasileira Gretchen.

No dia a dia da empresa, os irmãos dividem o cargo de CEO e comandam juntos todo o negócio. Mas Fabio, publicitário e dançarino que mora em São Paulo, fica com as coreografias. E Bruno, administrador que mora no Rio, cuida das finanças - e diz não saber dançar. “Quando a gente era pequeno, nos aniversários eu pulava e dançava, enquanto o Fabio só ficava no canto. Minha mãe dizia que ele precisava de um psicólogo para se soltar”, conta Bruno, aos risos. “Mal sabia ela que eu estava só me preparando”, responde Fabio. “Eu ensinei o primeiro passo para ele e aí saí de cena”, brinca o irmão mais novo.

Hoje, são 23 coreografias por semana, criadas em um dos dois endereços FitDance Space, um em Salvador e outro na zona sul de São Paulo, inaugurado em dezembro do ano passado. A versão paulistana foi planejada para gerar conteúdo online e conta com espaços instagramáveis e 20 cenários com cores, espelhos, luzes e neon para a gravação de aulas e vídeos. O local ainda serve de hub para influenciadores e gera renda ao ser alugado para eventos de marcas famosas.Essa expertise empreendedora, diz a dupla, foi possível graças a uma visão macro de negócios de entretenimento aprimorada ao longo de anos. Quando criaram a FitDance, em 2014, criaram junto e com capital próprio a Agência Califórnia, de publicidade e marketing; a Califórnia Mídia House, de gestão de conteúdo; e a Hit Lab, de produção musical, composição e empresariamento artístico. “Aqui fazemos tudo, o que faz com que a gente evolua mais rápido”, aponta Fabio.

Faturamento e tecnologia

Os irmãos não abrem o faturamento da empresa, mas contam que a principal fonte de renda é o licenciamento do método de dança. Para dizer que é um instrutor de FitDance, o profissional passa por cursos e paga todo mês pela licença. A empresa ainda compõe o faturamento com as redes sociais e vídeos no Youtube, mais uma linha de produtos e roupas para dança (bem coloridas e elásticas), parcerias com marcas, shows e contratos com gravadoras e artistas. O próximo passo é colocar em prática um programa de assinatura premium, com conteúdo exclusivo, que está na fase de testes.

“Foi só há dois anos e meio que percebemos o sucesso da FitDance. Chegou o momento em que vimos que ela já era uma bomba, tinha uma demanda e um volume absurdos, e vimos que precisávamos ir para fora do Brasil”, diz Fabio. De um ano e meio para cá, a empresa deixou de funcionar numa garagem - e eles garantem que o faturamento dobra a cada ano.

Parte do sucesso é creditado ao fato de terem conseguido romper a barreira regional e chegar a grandes empresas. “Para trabalhar com as gigantes, como o Google, a gente teve que ter ideias disruptivas e metas que ninguém conseguiria cumprir além de nós”, afirma Fabio. Aprender com os grandes foi essencial, dizem eles, que empreenderam juntos numa agência de publicidade com grandes clientes antes de criar a FitDance.

Hoje, depois de muito investimento no digital para fazer o negócio decolar, o conselho é ter paciência. “Usamos a internet para ganhar mais consciência de marca. Mas leva tempo. Às vezes, a pessoa cria um canal no Youtube e quer resultado em três meses. Não é assim”, aconselha Bruno, segundo quem o investimento em tecnologia e estúdio é de R$ 1 milhão por ano.

Embora sejam donos de uma empresa focada em dança, Bruno e Fabio são enfáticos quando falam da importância da tecnologia. “Quando escolho uma música para coreografar não é porque eu achei legal. É baseado em dados”, explica Fabio.

As informações vêm de times regionais de pesquisa, dos instrutores e ainda de uma equipe de análise de dados digitais, que consegue entender qual estilo de música, frase ou letra tem maior engajamento.

Com os dados, eles também conseguem segmentar o público e, com isso, criaram a FitDance Life (global, com músicas que funcionam no mundo inteiro e que atualmente aposta no reggaeton), a FitDance Kids e Teen (para crianças e adolescentes), a FitDance Swag (para os mais avançados na dança) e a FitDance Channel, mais recente, com foco na Índia, onde eles apostam fichas.

Para crescer no mundo inteiro, não esquecem de olhar para dentro. “Administrar uma empresa com 140 funcionários é totalmente diferente de 40, então o investimento na cultura interna hoje tem que ser grande para todo mundo ficar focado no propósito e não dispersar. Por isso gasto 60% do meu tempo fazendo entrevistas”, conta Bruno.

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