Paulo Vitale
Paulo Vitale

Financiamento de energia solar é foco de empresas para democratizar acesso

Alta demanda por matrizes energéticas mais baratas e limpas levam negócios do setor a criar soluções para resolver a chamada pobreza energética

Bianca Zanatta, Especial para o Estadão

05 de dezembro de 2021 | 05h00

A última Tese de Impacto em Energia da Artemisia, lançada em 2018, acertou em cheio nas previsões. O estudo mostrou que a demanda por energia elétrica deve triplicar no Brasil até 2050, de acordo com projeções conduzidas pela Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE). “Para atender à demanda futura é preciso considerar ações de expansão da oferta e repensar a eficiência de toda a cadeia, incluindo a avaliação e o incentivo a formas alternativas de gerar e distribuir energia”, afirma Maure Pessanha, presidente do Conselho da Artemisia, que fez uma análise dos principais pontos da tese a pedido do Estadão.

Essa expansão, no entanto, deve levar em consideração o poder aquisitivo da população brasileira. De acordo com a pesquisa, a chamada pobreza energética – conceito criado na Inglaterra para definir a incapacidade das pessoas de adquirir os serviços de energia para satisfazer suas necessidades básicas – pode ser analisada, no Brasil, por duas óticas: a falta de acesso à rede de energia (oferta) e usuários que não conseguem consumir adequadamente ou pagar por uma quantidade apropriada de energia (demanda). Na prática, trata-se de uma equação que envolve renda familiar insuficiente, o alto preço cobrado e a ineficiência energética nas habitações.

Esse cenário, agravado pela crise hídrica, já levou grandes instituições financeiras a criar linhas de crédito especiais para democratizar o acesso à energia solar, mais barata e limpa. É o caso da Caixa Econômica Federal, que lançou uma linha específica para financiar projetos fotovoltaicos para pessoas físicas, e do Santander, que criou a linha Giro Sustentável PJ, destinada a projetos sustentáveis em condomínios residenciais.

Nascidos para solucionar as dores desse mercado, pequenos e médios negócios de energia solar também estão focando na democratização. “Os financiamentos possibilitam aos clientes de classes mais baixas pagar parcelas com valor semelhante à conta de energia sem o sistema fotovoltaico”, explica Artur Bernardo, diretor comercial da Dinâmica Energia Solar, que já financiou mais de 700 projetos, de fazendas solares a instalações de pequeno porte. 

“Se o marco legal da energia solar for aprovado e sancionado, vai ser um ponto positivo para todo o mercado, pois vamos estar respaldados de leis e incentivos para cooperativas e parques solares”, ele acrescenta, referindo-se à Lei da Geração Distribuída (PL 5829/2019), que tramita agora no Senado e vai permitir que os consumidores produzam a própria energia a partir de fontes renováveis.

Parcelamento da energia limpa

A Meu Financiamento Solar, fintech de crédito para energia solar que nasceu como uma spin-off do Portal Solar e virou uma joint-venture com o Banco BV, completou um ano em outubro com a marca de mais de 40 mil propostas pagas – 70% delas voltadas a instalações residenciais. 

A startup cobre 100% do valor em projetos de até R$ 500 mil para pessoas físicas e R$ 3 milhões para pessoas jurídicas, oferecendo parcelamento de até 84 vezes e 120 dias para começar a pagar. Entre os clientes que buscam o financiamento, 48% têm renda mensal abaixo de R$ 5 mil e outros 22% ganham de R$ 5 mil a R$ 10 mil.

Já a plataforma Solfácil, que une soluções de financiamento e marketplace de equipamento solar, acaba de captar R$ 1,28 bilhão para financiar sistemas fotovoltaicos. Os recursos estão sendo usados nas linhas de crédito para pessoas físicas, pequenos comércios e produtores rurais. “A inadimplência dos nossos clientes está nitidamente abaixo da média do setor, o que nos permite captar volumes expressivos de dinheiro a custo competitivo e prazo alongado e repassarmos esses benefícios para nossos clientes", ressalta Guillaume Tiret, diretor financeiro e cofundador da empresa.

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Além da atuação financeira, a startup criou o primeiro marketplace solar do País, que conecta distribuidores a integradores solares em um só lugar. O marketplace oferece mais de 1,5 mil kits para instalação, facilitando a cotação e a busca por parte do integrador solar para cada projeto, seja residencial, comercial ou do agronegócio. "Ofertamos uma experiência digital, portfólio de diversas marcas e opções a preços competitivos e pronta entrega", destaca Fábio Carrara, CEO e cofundador da Solfácil.

Com mais de 400 unidades franqueadas e presente em todos os Estados, a Energy Brasil fez um caminho diferente para ajudar os clientes pequenos a pagar pela instalação de seus projetos. A sacada da rede foi a criação do Energy Pay, um sistema de pagamento que possui maquininha própria e permite que o cliente parcele o kit solar em vários cartões e em até 12 vezes, facilitando a tomada de crédito para as classes C e D.

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