Monica Bento/AE
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FGV: preços já refletem desaceleração da atividade

Principal sinal do processo é sinalizado pelos preços de industrializados, que, em outubro, apresentaram alta de 0,16% ante elevação de 0,3

FLAVIO LEONEL, Agência Estado,

02 de novembro de 2011 | 15h46

 O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), Paulo Picchetti, afirmou que os preços captados pelo indicador de inflação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) já estão refletindo a desaceleração da atividade econômica no Brasil. Em entrevista à Agência Estado, ele disse que o principal sinal deste processo vem sendo mostrado pelos preços industrializados, que, em outubro, apresentaram alta de 0,16% ante elevação de 0,30% observada em setembro, no âmbito do IPC-S.

A avaliação de Picchetti foi feita ontem, mesmo dia em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a produção industrial brasileira apresentou forte queda de 2% em setembro ante agosto, conforme a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), que tradicionalmente é distribuída com uma defasagem maior do que os indicadores de inflação ao consumidor. O resultado chegou a provocar reduções das expectativas de alguns economistas do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, com algumas instituições já trabalhando com a possibilidade de resultado negativo no período.

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"Para mim, o que vimos nos preços já é sinal da desaceleração na atividade que já está aparecendo de uma forma mais clara em alguns indicadores", comentou Picchetti. "A trajetória do grupo Industrializados no IPC-S em 12 meses era de aceleração desde fevereiro", lembrou Picchetti, acrescentando que, em outubro, o conjunto de preços mostrou alta menor nesta base de comparação, de 3,49%, ante variação positiva acumulada de 3,65% em setembro.

O coordenador do IPC-S destacou que a indústria é a parte da economia que reflete mais imediatamente momentos desfavoráveis, como os de crise financeira internacional. "O quadro de desaceleração está consolidado e o setor que sente isso mais rápido e de maneira mais forte é a indústria", afirmou. "E podemos olhar isso por vários indicadores complementares. Um deles é a própria PIM; o outro é o emprego, que é um dos últimos a sentir. E temos agora o outro lado da moeda que é a parte dos preços", listou.

Para Picchetti, a notícia de desaceleração da inflação em 12 meses foi um grande fato da divulgação de ontem do IPC-S. De acordo com a FGV, o próprio indicador cheio de inflação também registrou taxa menos intensa, de 6,78%, em outubro, depois de atingir o nível expressivo de 7,14% em setembro.

Em relação aos próximos meses, Picchetti trabalha com um cenário de continuidade neste processo de desaceleração. Tudo porque as taxas mensais previstas para novembro e dezembro de 2011 são de uma média de 0,60%, enquanto, em 2010, os dois últimos meses daquele ano tiveram resultados expressivos, de 1% e de 0,72%, respectivamente.

Com este cenário, o coordenador do IPC-S espera que a taxa de 12 meses chegue ao nível de 6,2% no final de dezembro. Se o resultado previsto for confirmado, o IPC-S deste ano, ficará bastante próximo do verificado em 2010, de 6,24%. 

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