Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Festa na caixa não é fruto da pandemia, mas surfa publicidade maior agora

Papelaria personalizada é tendência para decorar celebrações em casa; para setor de eventos, kits podem perdurar pós-quarentena como item de catálogo para pequenas festas

Ana Beatriz Bartolo, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2020 | 14h00

Especial para o Estado

O isolamento social provocado pela pandemia do coronavírus não impediu as pessoas de celebrarem seus aniversários, mesmo que de maneira mais simples. Buscando praticidade e customização, as “festas na caixa” se popularizaram nos últimos meses, especialmente para eventos do público infantil. Os kits feitos com papelaria personalizada enfeitam o espaço de casa com balões decorados, topos de bolos e acessórios de mesa.

“Em maio meu movimento triplicou por causa das mães que cancelaram as festas programadas, mas não deixaram de comemorar o aniversário com o filho”, comenta Paula Loureiro, que trabalha com esse tipo de decoração há 10 anos com a empresa Ateliê Paula Loureiro. Suas caixas são enviadas para compradores de todo o Brasil, que encontram seu ateliê pela divulgação feita apenas pelas redes sociais, especialmente pelo Instagram e pelo Pinterest. 

Para Elisa Vale, dona da empresa Festa em Caixa, que existe há cinco anos, a comunicação pelo meio digital fortaleceu a relação de confiança com as suas clientes, que podem acompanhar a personalização dos itens que compõem o pacote enviado até suas casas. Elisa conta que seu público-alvo são as mães que desejam participar da produção do evento para o filho de uma maneira prática e econômica

A analista Durcelice Mascêne, da unidade de Competitividade do Sebrae, explica que a pandemia e o distanciamento social foram um marco para a entrada de pequenos vendedores nas redes sociais: “Hoje ou você está no mercado digital ou você está fora do mercado”. A especialista destaca que o profissional precisa dominar essas plataformas para conseguir se tornar mais competitivo e apresentar a qualidade do produto nas imagens na internet.

Paula trabalhava como designer de moda e Elisa era publicitária. As duas iniciaram seus negócios quando seus filhos eram pequenos, pois observaram nesse ramo da papelaria personalizada uma oportunidade de conciliar o trabalho criativo com a maternidade. As caixas possuem um custo inicial de produção baixo, segundo as empreendedoras.

“Eu já tinha um computador, então só comprei uma máquina de corte e o material. Não foi um investimento alto”, lembra Paula sobre o seu começo, semelhante ao de Elisa.

As duas concordam que o diferencial desse produto artesanal está na exclusividade de cada caixa, que leva o nome do aniversariante e pode conter murais de fotos ou recados de pessoas distantes por causa do isolamento social. Elas também apostam por temas autorais em vez de personagens famosos.

“Eu evito temas comerciais. Até tenho alguns, mas prefiro não divulgar e não curto fazer, porque eu não tenho a licença para usar suas imagens”, comenta Elisa. Para a especialista do Sebrae, Durcelice, esses detalhes são o que valorizam a produção. 

“É preciso encantar o cliente pela beleza e pela qualidade. O trabalho artesanal vende história e, nesse cenário de ‘novo normal’, ele ganha muito potencial, porque tem a capacidade de trazer o aconchego”, diz Durcelice.

Alternativa no setor de eventos

A popularização das festas na caixa como uma alternativa no setor de eventos para reuniões com poucas pessoas é algo observado por Ricardo Dias, presidente da Associação Brasileira de Eventos Corporativos e Sociais (Abrafesta). A crise provocada pelo coronavírus causou uma queda de 85% no faturamento do segmento todo no País e cerca de 60% dos negócios pararam completamente as suas atividades desde março, de acordo com dados da associação.

“As festas na caixa são uma adaptação momentânea, e os kits foram criados para se adaptar às necessidades do mercado, assim como os eventos híbridos (parte presencial e parte digital)”, comenta Dias. “Mas, se forem realizar eventos maiores, com 50 pessoas ou mais, a tendência é voltar como era antes”, prevê o presidente da Abrafesta para quando aglomerações forem permitidas novamente.

Manter as festas na caixa como uma opção dentro de um catálogo de serviços para eventos no pós-pandemia é uma estratégia que Manuela Bastos, proprietária da Épic Decorações, pensa em adotar. A empresa já trabalhava com decorações de salões antes da quarentena e adaptou o negócio para começar a produzir as caixas contendo apenas a papelaria personalizada e o mobiliário de mesa, deixando os grandes painéis de chão guardados no acervo da empresa.

“Hoje a nossa margem de clientes aumentou mais de 150%. Isso foi uma grande surpresa para nós porque aumentou o nosso público e a nossa produtividade em quantidade e faturamento. Foi uma possibilidade de se redesenhar e criar mais uma via de negócio dentro de algo que já existia”, explica Manuela.

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