Paulo Beraldo/Estadão
Paulo Beraldo/Estadão

Feira do Leste Europeu inspira negócios na capital paulista

Evento acontece uma vez por mês e já promoveu a criação de negócios típicos

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2016 | 08h00

SÃO PAULO - Os mais de dez mil quilômetros que separam o Leste Europeu da Zona Leste de São Paulo não impedem que a cultura da região seja difundida e atraia olhares de curiosos e uma vez por mês. A pequena Vila Zelina, entre a Mooca e a Vila Prudente, é conhecida por sua colônia da Europa Oriental e recebe mensalmente uma feira que reúne gastronomia, artesanato, tradições culturais e artísticas de países como Lituânia, Ucrânia e Bielorússia, algumas das joias da coroa da Rússia na época da Guerra Fria.

Produtos como os tradicionais tecidos da Bielorússia, as bonecas de pano russas e comidas pouco conhecidas podem ser encontradas. É o caso do do Kvass, "a Coca-Cola do Leste Europeu", bebida fermentada produzida com sabor de beterraba ou de melão.

Os feirantes comercializam produtos típicos de seus países e a arrecadação média é modesta, entre R$ 250 a R$ 400 para os que trabalham com comida, e não mais do que R$ 250 para os que vendem artesanatos.

Mas a arrecadação de dinheiro não é o principal motivador desses cerca de 70 empreendedores de fim de semana. Para os organizadores, difundir a cultura da terra de seus pais e avós compensa o trabalho. A cada edição, cinco mil pessoas passam pela feira. Os imigrantes e descendentes de nações do Leste Europeu são parte de um grupo que abarca um milhão de brasileiros.

Segundo Victor Gers Júnior, presidente da Amoviza, associação que organiza a feira, apesar da colônia antiga no Brasil, poucos conhecem sua história. Por muitos anos ela não foi divulgada devido à Guerra Fria e à repressão do regime militar brasileiro. "Agora é uma oportunidade de promovê-la", afirma. "Muitas comunidades, até de fora do estado, se identificam e vêm divulgar a herança que tiveram de seus antepassados", diz.

Para o futuro, contudo, Victor Gers Júnior conta que há planos mais ambiciosos. Ele sonha em transformar o bairro em um ponto turístico de São Paulo. "Temos um aspecto cultural muito forte. Queremos fazer algo como é o bairro asiático da Liberdade", compara. "Queremos trazer nossa cultura e transformá-la também em uma forma de empreendedorismo", diz.

Restaurante. O advogado Marcos França, descendente de tchecos, é um dos que viu na sua cultura uma forma de empreender. De visitante, em 2012, foi convidado a tornar-se feirante. Ele promove os alimentos e a cultura da República Tcheca e da Eslováquia há três anos. "Tínhamos nossas comidas, mas ficavam sempre guardadas em casa", lembra.

A iniciativa de Marcos foi crescendo, os pratos ganharam variedades e os elogios serviram de combustível para a abertura de um negócio. "Perguntavam onde era nosso restaurante, diziam que gostavam da comida e queriam visitá-lo, mas não éramos desse mundo da gastronomia", relembra ele, que mudou de ideia e, até o final deste ano, espera inaugurar um bar temático no bairro. O forte da casa será a carta de cervejas tchecas, celebradas pelo mundo, além de pratos típicos.

Viagens. Outro negócio focado na temática do Leste Europeu é a agência de turismo Slavian Tours, com sede no Rio de Janeiro e escritório na Vila Zelina. Simone Polgrymas, representante da empresa, comenta que poucos conhecem "a grandeza cultural, arquitetônica e ambiental da região”.

Os pacotes mais procurados incluem destinos como a Rússia, os países bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia) e a Escandinávia. Cerca de 60% das viagens ocorrem entre junho e julho, quando é verão na Europa. "Há muitas pessoas curiosas por esses países, alguns que imigraram ainda pequenos e outros descendentes (dos imigrantes)."

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