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Faturamento do setor pet fica abaixo da inflação em 2016

Abinpet, associação responsável pelos indicadores do setor, responsabiliza desemprenho econômico do País

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2016 | 06h00

Em reflexo da brusca queda no volume de exportações de produtos para animais e aumento nas onerações, a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) calcula um desempenho modesto para este ano. O setor deve acumular um faturamento de R$ 19,2 bilhões em 2016, um crescimento de 6,6% em relação ao ano passado, quando atingiu R$ 18 bilhões. Vale ressaltar que trata-se de um crescimento nominal, quando não é descontada a inflação, estimada em 7,34% no mesmo período.

A balança comercial do setor tem respondido de forma negativa ao longo do ano. No primeiro semestre de 2016, as exportações brasileiras de produtos pet somaram US$ 107,1 milhões, menos da metade do volume exportado no ano passado, cujo valor final foi de US$ 351,4 milhões. Já as importações somaram US$ 2,9 milhões no período. No ano passado, o total importado chegou a US$ 6,6 milhões. 

O presidente executivo Abinpet José Edson Galvão de França responsabiliza a alta na inflação como principal fator de encarecimento dos produtos e a consequente queda nas vendas, o que inclui o mercado internacional. 

"Temos o agravante de que 95% das nossas matérias-primas são comoddities, que subiram mais ainda com a inflação", pontua França. Par ele, o índice de competitividade do Brasil, que vem caindo em relação a outros países, também contribui para o panorama negativo do setor em relação a outros países. "Quem vinha importando nosso produto está à procura de outros fornecedores. Nossa imagem está muito arranhada", analisa.

Perspectiva. Apesar do câmbio favorável - com a cotação do dólar em alta, fica mais vantajoso vender para o mercado externo - o gerente do Sebrae-SP, Thiago Brandão Farias, pontua que movimentações do mercado interno podem influenciar a balança comercial do setor antes mesmo da negociação com outros países. 

"A inflação aumenta o custo de produção do produto, mas o dólar ainda está  em um patamar muito interessante. Porém, antes de pensar nos indicadores, é preciso identificar onde está o comprador e quanto 0 produto vale no mercado internacional", explica Farias.

O mercado de atuação, para o especialista, também deve ser levado em consideração, principalmente pela atual conjuntura econômica mundial. "Muitas vezes as pessoas miram muito os principais mercados dos Estados Unidos e da Europa, mas o melhor comprador está do nosso lado. Argentina, com a economia em recuperação, Colômbia, Peru, México, são opções tão certeiras quanto", conclui.

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