André Lessa/AE
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Faturamento do artesão cresce 40%

Profissionalismo e até as vendas pela internet ajudam a transformar o setor, que oferece novas oportunidades

Natália Peixoto - Estadão PME,

25 de abril de 2012 | 19h25

O mercado daqueles que trabalham com a criação de produtos em pequena escala no Brasil cresce em número e qualidade. “Hoje o artesão se enxerga como um profissional, um empreendedor”, explica Maurício Tedeschi, coordenador nacional de artesanato do Sebrae. “Nesses últimos dez anos, a tendência é de profissionalização, de aumento do valor agregado e também da competitividade”, afirma o especialista. E outra boa notícia para o setor é que esse crescimento também é financeiro.

Pesquisa encomendada pelo Instituto Centro de Capacitação e Apoio ao Empreendedor mostra que o faturamento médio anual de um artesão, em 2005, era de aproximadamente R$ 15 mil. Em 2011, chegou a R$ 21 mil – alta apurada de 40%.

Mas o crescimento do setor apresenta desafios extras aos empreendedores. A inovação, por exemplo, é fundamental para sobreviver. Mas o segredo é saber aliar novidade com a tradição característica do segmento. “O mercado valoriza a história das peças”, menciona Tedeschi.

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Essa expansão também atrai cada vez mais candidatos a empresários. Cinthia Zaccarias, por exemplo, trocou Curitiba por São Paulo para transformar seu passa-tempo em negócio. Cinthia monta pot-pourris (seleção de pétalas secas e especiarias para perfumar ambientes).

Cinthia começou a vender produtos em uma feira de artesanato que funciona na Avenida Paulista e hoje é dona de uma marca própria, a Phedras. Além dos aromatizantes de ambiente, a empresa produz linhas completas para banho, hidratação do corpo e cuidados com a casa. “Uma qualidade essencial é ser versátil, para acrescentar sempre coisas novas. Quando o artesão está informado, ele consegue buscar mais formas de agregar valor, dar mais de uma utilidade ao produto. A chance de dar certo é maior”, conclui a empresária.

Novos mercados. O artesanato contemporâneo, encontrado nos grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro, também segue tendências de moda e design. E boa parte do crescimento desse mercado deve-se à exploração de novos produtos e formas de vendas. Em São Paulo, além das tradicionais feiras públicas, os profissionais contam com espaços particulares permanentes, como o Mercado Pop, e com lojas colaborativas, como a Cada Qual. A venda pela internet também representa uma boa e relativamente nova alternativa para o artesão.

Durante o ano passado, por exemplo, o shopping virtual Tanlup movimentou R$ 7 milhões em vendas. O espaço online conta com 15 mil lojas cadastradas – entre 60% e 70% são artesãos, estima o criador do site, Éber Freitas. De acordo com ele, há mesmo uma importante valorização do artesão em curso.

“Existe uma mudança de percepção do artesanato. As pessoas estão criando mais roupas, objetos de decoração, tudo é mais autoral”, afirma. Por isso, Éber Freitas recomenda que os profissionais dessa área devem, cada vez mais, explorar e valorizar a identidade daquilo que conseguem criar.

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