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Fabricante de instrumentos com 112 anos de história conta como sobrevive aos importados

Presidente da fabricante Giannini conta como a marca de 112 anos de existência enfrenta a concorrência estrangeira

Roberta Cardoso, Estadão PME,

25 de julho de 2012 | 06h31

Estar à frente de uma empresa e consequentemente lidar com todas as atribuições que um negócio não é uma tarefa fácil. E o grau de dificulade aumenta quando estão em jogo 112 anos de tradição de uma marca. No entanto, não é impossível. No Brasil, a fabricante de instrumentos musicais Giannini comprova ao longo das últimas 11 décadas que é possível sobreviver em um setor pouco favorável como o de instrumentos musicais no Brasil.  De acordo com dados da Associação Brasileira da Música (Abemusica),  participação da indústria nacional neste segmento é de apenas 10%. Todo o restante vem de fora.

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O cenário do setor foi agravado por movimentos políticos, como a abertura econômica para o exterior promovida pelo então presidente Fernando Collor na metade da década de 90, o que promoveu uma invasão de importados. Com isso, a indústria nacional perdeu força e também competitividade diante dos produtos fabricados principalmente na China. Muitas fabricantes nacionais fecharam as portas. As outras, tiveram que se reiventar para não seguir o mesmo rumo. Em entrevista, Giorgio Giannini, presidente da empresa e há 50 anos trabalhando nela, fala sobre os principais desafios da marca.

PME - Como manter uma fábrica diante de uma concorrência tão grande com os importados?

Giorgio Giannini - Manter uma fábrica no Brasil é muito difícil. Não só no que se refere à mão de obra asiática mais barata, mas principalmente ao que nós chamamos de “Custo Brasil” (impostos, custo do dinheiro para financiar operações, custos de serviços, etc). Tudo isso somado cria uma diferença nos nossos custos dos produtos, especialmente naqueles que têm muita mão de obra agregada. Esses produtos acabam ficando 70%, 80% mais caros dos que os asiáticos.

PME - As últimas turbulências econômicas mundiais, como as crises de 2008 e a atual, afetam o negócio de que maneira?

GG -  Afetam profundamente em vários aspectos. O mercado e o consumo se retraiu. Falta dinheiro aos consumidores nas mesmas bases de 2008/2009 e meados de 2010. A dificuldade dos lojistas em investir em estoques especialmente pelo “custo do dinheiro” e às incertezas quanto à evolução e duração dessa crise para futuro diminuem a confiança dos consumidores e dos investidores.

PME - Ao longo dos 112 anos de existência da Giannini, quais foram os momentos mais críticos para o negócio?

GG - Numa empresa como a Giannini, com tanta vida passada, muitos foram os momentos difíceis como revoluções, guerras e crises internacionais. Com certeza, o momento mais difícil foi a mudança brusca de comportamento do governo em 1990 (Governo Collor). Vivia-se numa época de reserva de mercado e do dia para a noite essas regras foram mudadas com a abertura do mercado. Para a Giannini foi extremamente difícil pois estávamos investindo muito para o crescimento da produção nacional e repentinamente os produtos importados entraram no país custando quase metade do preço. Isso sem nos dar tempo para adaptação. É claro que esse golpe foi superado, mas a custo de uma grande descapitalização, o que tornou mais lenta a nossa recuperação.

PME - Atualmente, qual é o maior desafio da empresa?

GG - No momento, a manutenção do Market Share do mercado é um grande desafio para a Giannini, mas o mais difícil é entender quais serão as medidas que o governo fará para ajudar a indústria brasileira a se reerguer.  Nós ainda temos a produção nacional e gostaríamos de fazê-la crescer como sempre fizemos no passado. Mas como basear esses planos para o futuro? É necessário que o nosso governo determine uma política a médio e longo prazo tornando nossos custos de impostos financeiros e de serviços compatíveis e competitivos com os nossos concorrentes internacionais.

PME - E o maior desafio do setor de instrumentos musicais?

GG - Nós, da área de instrumentos musicais sempre investimos para o crescimento do mercado. Existem associações (Anafima, Abemusica) que reúnem fabricantes, comerciantes, músicos e todos aqueles que lidam com o mercado da música em prol desse crescimento. Feiras regionais, nacionais e internacionais ajudam, mas acreditamos que o maior componente para o crescimento sadio do mercado seria a ajuda do governo em implantar e regulamentar o ensino da música nas escolas.

PME -  Quais a expectativa de crescimento da Giannini para 2012?

GG - A expectativa de crescimento para 2012 é de 15%.

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