Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Fabricante brasileira de notebooks para 'gamers' fatura R$ 29 milhões e mira Estados Unidos

Brasileira Avell investe US$ 1 milhão e traça estratégia para competir em um dos maiores mercados do mundo

Marcelo Osakabe, especial para o Estado,

25 de fevereiro de 2014 | 06h40

Fabricar notebook parece ser o negócio de grandes corporações, um mercado sem muitas oportunidades para pequenas empresas. Um empreendimento catarinense chamado Avell, no entanto, parece disposto a modificar esse conceito.

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Para concorrer com empresas gigantes, Emerson Salomão resolveu se especializar. "Percebi que existia uma procura muito grande por aparelhos de alto desempenho, especialmente entre os 'gamers', mas no Brasil não tinha quem trabalhasse de forma organizada nisso", afirma o empresário.

A estratégia se mostrou eficiente até o momento – a marca faturou R$ 29 milhões em 2013, alta de 93% em relação ao ano anterior. Agora, a empresa investe US$ 1 milhão para levar o negócio para os Estados Unidos, onde pretende montar uma pequena linha de produção.

Apesar de também vender o laptop para designers, projetistas e outros segmentos que precisam de potência de processamento, a Avell consegue 95% do faturamento com os jogadores de vídeo game. Esse público compõe um segmento em rápida expansão no mundo e no Brasil – no País, o faturamento foi de R$ 1,6 bilhão, segundo dados da Associação Comercial, Industrial e Cultural de Games (ACI Games).

Há outros fatores que explicam a expansão. A empresa catarinense consegue vender produtos mais baratos do que os similares de grandes marcas. Isso é possível porque a companhia produz no País seus laptops e há uma série de benefícios fiscais. O Processo Produtivo Básico (PPB), por exemplo, faz com que a Avell consiga uma diferença de preço que chega a R$ 2 mil nos modelos mais caros.

A Avell também dá três anos de garantia pelos seus produtos. "Firmamos uma parceria com os Correios, que buscam o laptop na casa do cliente e prometemos consertar em até 24h", afirma Emerson.

Esses dois atributos também serão usados como os principais trunfos de Emerson em seu desembarque em solo norte-americano. "Lá não teremos o diferencial do preço, mas a maioria das marcas dá um ano de garantia. Nós oferecemos três e prometemos buscar na sua casa se ele der problema", garante o empreendedor. Os primeiros notebooks serão vendidos no começo de abril, segundo o planejamento definido pela empresa.

Análise. Segundo o coordenador dos cursos de engenharia da Fiap, professor Almir Meira Alves, o investimento inicial para montar uma marca hoje afugenta boa parte dos possíveis interessados no segmento. "Certamente é um investimento que passa da casa dos milhões." Mas o alto crescimento do mercado de jogos pode ser um incentivo para os empreendedores.

O Brasil é atualmente o quarto mercado consumidor de jogos digitais do mundo, e também o que mais cresce. Dados de uma pesquisa da ACI estimam que 40 milhões de brasileiros façam parte desse segmento. O diferencial, segundo Almir, é a sensação de exclusividade que o produto deve despertar. "Este mercado quer se diferenciar da multidão."

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