Leandro acreditou no potencial do ambiente virtual Second Life
Leandro acreditou no potencial do ambiente virtual Second Life

Evento se especializa em mostrar só os erros

FailCon chegou ao País em 2012 com o propósito de construir aprendizado por meio dos enganos dos empreendedores

Gisele Tamamar, Estadão PME,

25 de março de 2015 | 07h10

Nada de mundo perfeito e sete, oito, dez passos milagrosos para o sucesso. O objetivo do evento chamado FailCon é relatar histórias e aprendizados de empreendedores que já fracassaram alguma vez. Criada em 2009 nos Estados Unidos, a FailCon ganhou uma edição brasileira a partir de 2012, em Porto Alegre. Mas não foi fácil trazê-la para o País, afinal, havia uma dificuldade enorme para encontrar...palestrantes.

“O motivo do evento não é dizer que falhar é legal. É mostrar que faz parte do processo”, afirma um dos organizadores do encontro e sócio do Nós Coworking, Rafael Chanin.

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Ele gosta de citar em suas palestras o caso do piloto Rubens Barrichello. “Ele ficou entre os melhores, ganhou milhões de dólares, mas muita gente critica o Rubinho. Aqui existe a cultura do número 1. O resto é tudo fracassado. Tudo isso prejudica a cultura do empreendedorismo”, diz Chanin.

O outro organizador do evento, Flávio Steffens de Castro, lembra que ninguém entendia o que era a FailCon na primeira edição. “Eu ouvia: ‘como assim falar de fracasso?’ Hoje essa questão está um pouco mais popular e está se discutindo um pouco mais”, conta Castro, que também compartilhou sua história de insucesso.

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Castro teve a ideia de criar um site para o setor da construção civil após receber uma dica do irmão arquiteto. Depois de um ano de desenvolvimento e dinheiro gasto, a proposta fracassou. “Meu erro foi achar que o mercado iria aceitar. Na hora de vender, não tinha assunto, não conseguia criar empatia. Foi uma série de fatores que nos levou para o buraco”, conta o empreendedor.

Todos os erros cometidos por Castro, entretanto, serviram de aprendizado para a criação do Bicharia, uma plataforma de crowdfunding voltada para projetos que envolvam animais. “Desenvolvemos uma solução provisória em 15 dias, corremos atrás de possíveis clientes e no fim deu certo. Não tem que ter medo de expor o erro”, recomenda Castro.

A dupla de empreendedores tem a intenção de levar o evento para outras cidades do País, mas eles dependem de apoio local para viabilizar a expansão.

Participante da primeira edição, o empresário Leandro Pompermaier chamou a atenção quando contou sua história, que está relacionada ao ambiente virtual Second Life. Ele participou, em 2007, de um evento no Instituto Gartner, nos Estados Unidos. Lá, Pompermaier ficou sabendo que 80% dos usuários de internet teriam uma ‘segunda vida’ no mundo virtual até o fim de 2011.

“Desde aquele evento fiquei pirado em cima disso e falei: estão falando que o futuro é o Second Life, temos que entrar nessa onda”, conta o empresário, que abriu uma empresa de desenvolvimento de negócios para experiências virtuais.

Não deu certo. Mas a vivência, como sempre acontece, deixou ensinamentos. “Foi decisão em cima da emoção, sem estudo para agregar valor para o cliente”, conta o empresário. Pompermaier aprendeu a analisar as informações sem tanta emoção e a trabalhar com o MVP (mínimo produto viável) para testar o negócio antes de investir tempo e dinheiro.

Quando foi convidado para expor seu caso, o empresário não hesitou. “Isso é uma coisa que temos que mudar. A gente tem que olhar o empreendedor que fechou uma empresa como alguém que realmente tentou”, conta Pompermaier, que atualmente é professor no Rio Grande do Sul e tem duas empresas na área de tecnologia.  

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