Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Euforia do investidor com startups brasileiras passou

Empolgação inicial cede espaço para o momento atual de retração no aporte de dinheiro em startups

Renato Jakitas, Estadão PME,

13 de setembro de 2013 | 06h51

Após dois anos de muito assédio por parte dos fundos de capital de risco, os donos de pequenas empresas de tecnologia e empreendedores do varejo online começam a se acostumar com um cenário mais modesto de atração de dinheiro em 2013. De janeiro para cá, os investidores-anjo e as empresas de venture capital têm reduzido seu apetite pelo mercado local.

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Segundo analistas e representantes do ramo, os investidores estão mais cautelosos e, como consequência, muito mais exigentes em relação a 2011 e, sobretudo, a 2012, quando os fundos comprometeram um montante de R$ 83,1 bilhões para aportes em brasileiras (31% mais que em 2011), de acordo com dados da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (Abvcap).

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Ficou mais difícil conseguir dinheiro para pequenas empresas

“Ainda não temos um número fechado sobre o primeiro semestre de 2013, mas a verdade é que sentimos que o período apresentou uma desaceleração significativa na atuação dos investidores”, diz Bernardo Portugal, conselheiro da Abvcap.

“É difícil até de estimar um número para 2013. Mas o crescimento do setor deve ficar bem abaixo do registrado em 2012”, conta. A explicação para isso, destaca Portugal, não está em um único fator. Na lista dos motivos, consta desde a recuperação da economia nos Estados Unidos, que absorve parte do interesse do investidor, até o sinal de alerta ligado pelo mercado em virtude da política econômica local e das dificuldades enfrentadas por algumas startups em reverter os aportes em lucro no tempo estabelecido.

Para Camila Farani, cofundadora da Lab22, empresa que mescla a atuação de fundo de investimento, aceleradora e incubadora, corroborou ainda para a retração o fato do mercado brasileiro de tecnologia ser incipiente. Isso levou os fundos a alguns erros de interpretação. “O mercado brasileiro está em curva de introdução. E no primeiro momento existiu uma euforia muito grande (por parte dos fundos)”, destaca.

A opinião de Camila Farani encontra fundamento na história do empreendedor francês Olivier Grinda. Após uma experiência bem-sucedida como um dos fundadores do Brandsclub, que introduziu o conceito de clubes de assinatura pela internet no Brasil, ele lançou em 2011 a Shoes4you.

A startup começou com a venda de sapatos em modelo de assinatura e depois passou a oferecer bolsas e óculos – o negócio alcançou faturamento de R$ 5,5 milhões e 15 mil assinantes. Foi o suficiente para receber aportes da Accel Partners, Redpoint Ventures, entre outras. Mesmo assim, Grinda anunciou o fechamento da operação em abril.

“Gastava muito para atrair o cliente e depois o retorno não era suficiente para cobrir esses custo”, analisa. “Eu poderia persistir um pouco mais pois estava capitalizado. Mas não queria bater no muro. Era melhor encerrar a operação e devolver o dinheiro dos parceiros”, conta.

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