Valdemar Iódice quer crescer no varejo
Valdemar Iódice quer crescer no varejo

Eu estou no campo de briga, afirma Valdemar Iódice

Dono da marca Iódice prioriza produto, inovação e foca em redução de custos para continuar a crescer mesmo na crise

Gisele Tamamar, Estadão PME,

02 de agosto de 2015 | 07h00

Foi trabalhando na confecção do tio que Valdemar Iódice se envolveu em todas as etapas de produção do setor e aprendeu a ter uma visão global do negócio. E essa experiência serviu de bagagem para o empresário enfrentar a atual situação econômica do País. “Eu já me envolvia no passado e, na atual circunstância do mercado, voltei a me envolver diretamente no negócio. Estou no campo de briga”, afirmou o empreendedor.

::: Saiba tudo sobre :::

Mercado de franquias

O futuro das startups

Grandes empresários

Minha história

Na avaliação do empresário, o momento é muito delicado e não importa em qual patamar a empresa está: vence no ramo quem tem produto, inovação e preço. Isso não significa vender barato, mas ser competitivo dentro da faixa em que se pretende atuar. E preço, na avaliação de Iódice, só se consegue com redução de custos. 

“Eu acredito no desenvolvimento de produto, inovação, preço e redução de custos. Esse é o momento. Quem não fizer isso não vai conseguir. Porque, se precisar de dinheiro, vai gastar muito e não vai conseguir se levantar”, afirmou Iódice durante o Encontro PME com pequenos empreendedores e interessados no tema. Confira a seguir os principais trechos.

Início 

A mãe do empresário era modista (fazia roupas sob medida) e o tio tinha uma confecção de camisas masculinas. Mas Iódice só se envolveu no ramo quando perdeu o emprego de propagandista de laboratório e foi trabalhar com a família. Em paralelo, o empresário cursava ciências contábeis. No emprego, se envolveu desde o desenvolvimento do produto até a venda, onde adquiriu experiência para abrir seu próprio negócio com dinheiro emprestado da avó. “Eu criava de manhã e vendia à tarde. Faturava no dia seguinte e entregava. E assim a marca foi crescendo”, lembrou Iódice.

Mudança 

No início, as vendas eram feitas em grandes volumes para os magazines. “Eu saí para viajar com a família, peguei a relação de clientes e vi que meu produto estava pendurado nas portas das lojas. Eu falei: ‘Não é isso que eu quero para a minha marca’”, contou Iódice, que interrompeu o descanso para começar a colocar a marca em outro patamar enquanto a família continuou o passeio.

A decisão ocorreu em 1997, ano que Iódice considera como o de nascimento da grife. Para fazer essa transição, ele recolheu a marca do mercado, trocou a equipe de vendas e começou ele mesmo a atender os clientes. “Na primeira cidade que fui, chamei as pessoas para ver a coleção no Hotel Hilton. Os dois melhores clientes da praça ficaram admirados e não lembraram que eu já tinha vendido para magazines. Aí vi que o caminho estava aberto.” 

Como forma de ganhar visibilidade, a primeira loja foi aberta no Shopping Iguatemi, em 1998. Na Rua Oscar Freire, ele inaugurou em 2001. Hoje, a marca tem 18 lojas, entre próprias e franqueadas, está presente em 650 multimarcas e se prepara para lançar o e-commerce próprio. 

 

Desafio 

Iódice se define como uma pessoa dedicada. Sem hora para entrar nem para sair do trabalho. “Acho que sou empreendedor mesmo. Se tem algum desafio, eu não me acovardo, vou para cima de qualquer problema que tenho”, afirmou. De acordo com o empresário, foi o desejo de construir uma marca que o levou a buscar a mudança de patamar. “Sempre tenho coragem para fazer as coisas, não sei por quê. Na minha vida foi sempre assim”, disse Iódice.

Mas mesmo com tudo o que ele construiu e com o reconhecimento da marca no País, o empresário afirmou durante o encontro que é obrigado a renovar, sempre. “Se eu não me renovar, eu danço. Aparece gente nova e eu fico no esquecimento”, analisou.

 

Ponto de venda 

Na opinião do empresário, o varejo é uma arma em que você tem resultado imediato. Por isso, a marca faz reuniões semanais com os gerentes das lojas. Essa é uma forma da empresa saber onde exatamente precisa atuar para melhorar a performance. “Eu acredito muito no ponto de venda. Quando eu quis voltar com a marca no passado, li um livro chamado ‘Guerrilha de Marketing’. Eu não tinha dinheiro para apostar e comecei fazendo um trabalho de fora para dentro. Apostei no ponto de venda para a marca ficar conhecida em algumas cidades e depois vim para cá (São Paulo)”, revelou. 

Iódice também visita pessoalmente as unidades que mantém. Não só as suas, como as concorrentes também. “No sábado, acordei de manhã, fui a um shopping, entrei na Zara, na Animale. E fui nas minhas lojas também para saber o que eu tinha que fazer”, disse.

 

Pessoas 

O empresário acredita que chegou no patamar atual porque tinha ao seu lado pessoas que acreditam no trabalho e são eficientes. “Sozinho você não faz nada. Quando admito uma pessoa para trabalhar comigo é olhos nos olhos. Sem o fator humano dentro da empresa você não consegue nada.”

Dentro do seu método de trabalho, o empresário procura todo dia de manhã dar uma volta nos departamentos do negócio. São 15 minutos gastos, mas de alguma forma, ele acredita que as pessoas se sentem valorizadas e se tornam mais eficientes. 

Outro fator em que Iódice acredita muito é no relacionamento com as pessoas. Como exemplo, ele citou a passagem em que precisou tingir um tecido em cima da hora para um desfile. “Fui para Jundiaí conversar com um fornecedor que conheço há muito tempo. O que aconteceu? Ele parou tudo e fez. Esse relacionamento abre uma porta incrível”, disse.

 

Nicho 

Ao encontrar o segmento da marca, o empresário defende a permanência nele, sem oscilações. “Se a marca quiser baixar seu preço vai cair em uma vala da concorrência que mata. Tanto o preço para cima quanto para baixo tem limite. Eu faço pesquisa em cima dos meus concorrentes e sei onde estou pisando”, afirmou. “Enquanto você está construindo uma marca, você tem que saber onde quer atuar. Se não tiver isso claro, vai penar sempre”, completou.

Cenário 

Para 2016, Iódice ainda tem dúvidas sobre como a economia vai se comportar. Mas para garantir o bom desempenho, ele está reduzindo a companhia. “Hoje eu não preciso ter uma empresa de 6,5 mil metros para fazer o que eu faço. Se eu tiver menos, vou fazer melhor porque não vou precisar administrar pessoas e espaço; se eu tiver produto, preço e redução de custos, vou conseguir. Acho que consigo sobreviver e ganhar dinheiro. E vou partir para o varejo”, prometeu. 

Tudo o que sabemos sobre:
encontro pmeiódice

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.