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Estúdios de animação têm demanda maior com isolamento

Com desenhos feitos em 2D, projetos ajudam a suprir a ausência de pessoas em clipes e programas de canais a cabo na pandemia; Combo Estúdio vê demanda crescer também em curso online

Letícia Ginak, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2020 | 06h03

Assim como a indústria de games, o segmento de animação também passa pela pandemia do novo coronavírus sem grandes crises e com novas oportunidades no mercado. Com a paralisação de alguns segmentos do setor de economia criativa, novas demandas começaram a surgir para os estúdios, como a elaboração de videoclipes. As empresas também relatam que os projetos que estavam em andamento antes do isolamento social não foram interrompidos, proporcionando assim a contratação de profissionais.

De acordo com a empresa internacional de pesquisa do setor Digital Vector, a maioria dos segmentos da indústria de animação está crescendo a uma taxa de 2% a 3% ao ano no mundo. O tamanho do mercado de streaming de conteúdo de animação e efeitos visuais foi de US$ 3,5 bilhões em 2019 e está crescendo a uma taxa anual de 8%.

Com a estreia recente da série Any Malu no canal Cartoon, Marcelo Pereira, sócio fundador do Combo Estúdio, do Rio de Janeiro, confirma que a pandemia não abalou a dinâmica da empresa. “Mantivemos o mesmo ritmo e até contratamos mais gente, porque o volume de trabalho era muito grande, inclusive com o surgimento de outras oportunidades nesse período. Fizemos um videoclipe animado, que não seria feito em animação se não tivesse ocorrido o isolamento social no meio do caminho”, conta Pereira.

Nos últimos dois meses, a empresa contratou 30 funcionários, em um regime de contrato que dura o período do projeto, muito comum no setor. O empresário ainda afirma que um curso online de animação 2D oferecido pelo estúdio teve aumento de 100% nas vendas durante o período de isolamento social.

Rodrigo Olaio, produtor executivo do estúdio Chatrone, com sede nos Estados Unidos e em São Paulo, diz que enquanto as produções em live action da empresa foram paralisadas, as animações cresceram. “Os projetos que estavam em produção não pararam. Os executivos que antes dividiam a atenção em vários projetos até aceleraram o passo em algumas aprovações, (a pandemia) deu até um empurrãozinho”, diz ele.

“As plataformas e canais fechados precisam colocar conteúdo no ar e então o foco se voltou para a animação”, completa. A empresa também está com vagas abertas para a contratação de profissionais por projeto. O estúdio é o criador da série animada Menino Maluquinho, produzida pela Netflix.

Olaio ainda destaca que o mercado internacional também voltou os olhos para o Brasil, seja para a terceirização de etapas do projeto, seja na contratação de profissionais nacionais, devido às facilidades do home office. "De forma global, a gente, como mercado de animação, não quebrou em nenhum lugar do mundo com pandemia", conta.

As dificuldades relatadas pelos empresários do setor são sobre as dublagens, pois não são todos os atores que conseguem gravar a voz em casa e fazer a instalação de novos softwares. "O home office acaba interferindo mais nas etapas que estão ao redor do processo de animação. E de alguma forma você também não consegue trabalhar 100% na nuvem, então os estúdios também focaram na TI", diz Olaio.

Animação para exportação

Com rodadas de negócio online, até o dia 30 de junho acontece o Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy e International Animation Film Market (MIFA), na França. A delegação brasileira inclui oito estúdios, como o Combo, que são amparados pelo Brazilian Content, programa de exportação do setor. O programa é tocado pela Brasil Audiovisual Independente, BRAVI, e pela Apex-Brasil.

Na programação, além de rodadas de negócio, os estúdios participam de pitches, sessões com compradores e conferências que vão reunir profissionais da produção audiovisual e indústria criativa do mundo todo.

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